Justiça manda soltar PMs que agrediram pizzaiolo em São Paulo

Justificativa é que policiais não oferecem perigo. Vítima diz que está com medo de represálias: 'Quem vai ficar preso sou eu pelo fato de eles estarem soltos'

Pizzaiolo foi agredido por policiais militares

Pizzaiolo foi agredido por policiais militares

Reprodução / Record TV

A Justiça Militar de São Paulo mandou soltar os oito policiais militares acusados de promover uma sessão de espancamento de jovens na periferia da capital paulista. Uma das vítimas era um pizzaiolo de 27 anos, que agora, com a liberação dos pms que o agrediram brutalmente, revive o pesadelo.

"Fico com medo de sair na rua. Policiais estão soltos e não sei como será de agora em diante. Se a justiça será feita, eu não sei."

O jovem foi espancado quando ia pra casa da namorada, depois do trabalho. A agressão durou 20 minutos. Ele foi jogado ao chão e arrastado. Levou chutes e golpes de cassetete. A todo momento ele pedia para que os pms parassem.

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Ao saber que as agressões haviam sido gravadas e divulgadas em uma rede social, os pms voltaram para socorrer o pizzaiolo. Mas exigiram que ele mentisse no hospital e na delegacia sobre a origem dos ferimentos. A investigação avançou. Outras seis vítimas dos mesmos pms foram identificadas.

Temendo pela integridade física das vítimas, a justiça militar decretou a prisão dos oito policiais suspeitos. Pouco menos de um mês depois, todos ganharam a liberdade.

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“Pensava que ia ficar preso. Além deles não ficarem presos. Quem vai ficar preso sou eu”

Na decisão em que revogou a prisão preventiva, o juiz disse que os policiais não são perigosos. Mesmo assim, ele determinou que os policiais fiquem longe das vítimas. Os oito vão ficar afastados do trabalho nas ruas enquanto respondem a um procedimento administrativo na Polícia Militar.

Maciel José de Paula, advogado das vítimas, alerta que o processo administrativo pode levar vários anos. “E durante esses anos esses maus policias continuarão sendo remunerados pelo estado. Inclusive com todas as regalias e benefícios que ele tinha na rua se estivesse trabalhando. De certa forma o processo administrativo é um premio. É uma Forma de ganhar sem trabalhar.”

A defesa dos policiais diz não havia requisitos que justificassem a manutenção da prisão preventiva e que a defesa agora deverá ser individualizada.