São Paulo Mãe de Ísis Helena tinha histórico de brigas em penitenciária de SP

Mãe de Ísis Helena tinha histórico de brigas em penitenciária de SP

Jennifer Natalia Pedro foi encontrada morta em cela na segunda-feira (22). Registros comprovam xingamentos e ameaças 

  • São Paulo | Do R7, com informações da Record TV

Ísis Helena

Ísis Helena

Reprodução/Record TV

Jennifer Natalia Pedro, acusada de matar a filha Ísis Helena,tinha um histórico de brigas e confusões na penitenciária Santa Maria Eufrásia Pelletier, de Tremembé, no interior de São Paulo, onde foi encontrada morta na segunda-feira (22).

Documentos obitod pelo Cidade Alerta comprovam as inúmeras discussões, xingamentos e ameaças que ela proferia contra outras detentas e até mesmo funcionárias do presídio. 

Um registro do dia 14 de outubro de 2020 revela uma briga com uma colega de cela supostamente provocada pela ordem do banho. As duas estavam alertadas e Jennifer gritava. Em relatório, está descrito que "Jennifer estava gritando e disse que Eva [a companheira de cela] tinha entrado na frente dela no banho e que era sua vez de tomar banho. Eva estava com as costas molhadas e disse que estava lavando roupa quando Jennifer ligou o chuveiro em cima dela".

Um relato do dia 15 de janeiro da chefe de equipe de vigilância da prisão descreve o comportamento de Jennifer. O registro diz que, antes que pudesse chegar à cela onde morava Jennifer, a presa começa a chutar a porta e grita proferindo palavras de baixo calão e xingamentos, dizendo: "Não quero ficar nessa porcaria de cadeia, vou fazer tudo pra acabar com essa porcaria de cadeia". Jennifer afirma ainda que não admite que guardas mandem nela ou na cadeia. "Vou fazer a minha fama de matadeira", ameaçou, começando pelas guardas. 

O corpo de Jennifer foi encontrado já sem vida na cela onde cumpria um castigo, depois de mais uma briga dentro da prisão. Jenifer tinha 26 anos e estava prestes a conseguir um habeas corpus até o julgamento.

A mãe de Jennifer, Rosa reconheceu o corpo da filha no IML (Instituto Médico Legal) não acredita que ela tenha cometido suicídio. Mesmo com todas as provas de ter enterrado o corpo de Isis Helena nas margens de um rio, e inventado versões diferentes para a morte da bebê, Rosa foi enfática eu defender a filha acusada de assassinar a própria neta dela. "Independente do que o mundo falar da minha filha, eu amo a minha filha, fui com ela até o fim, e faria tudo de novo", afirmou.

Em um áudio divulgado pelo Cidade Alerta, da Record TV, Rosa disse que a filha havia reatado um relacionamento com o ex, e que se preparava para contar tudo o que sabia sobre o caso. "É muita coincidência, pra mim foi um cala a boca isso aí. Não sei da parte de quem. Como eu já falei, minha filha ão era santa, ela sabia se defender", disse Rosa. "Alguém que vai se matar não fica fazendo planos pro futuro, não fala 'Não vejo a hora de te abraçar, mas longe daqui'."

Jeniffer foi encontrada pelos agentes penitenciários da P1 de Tremembé com um lençol no pescoço.

egundo relatou ao R7 o advogado da mulher, William César Pinto de Oliveira, a causa da morte ainda não foi identificada, e dependerá de um exame necroscópico realizado hoje pela manhã, além de outras perícias e investigações.

Um inquérito policial e um procedimento administrativo interno deverão ser instaurados para apurar os fatos.

A reportagem solicitou uma nota à SAP-SP (Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo) a respeito do caso. Às 16h18, a pasta respondeu com a seguinte nota:

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informa que uma detenta, de 22 anos, foi encontrada morta na tarde de ontem, na cela que habitava sozinha na Penitenciária Feminina “Santa Maria Eufrásia Pelletier” I de Tremembé. O caso foi registrado na Delegacia Seccional de Taubaté como suicídio consumado e a SAP abriu procedimento para apurar os fatos. A presa chegou a receber procedimentos de ressuscitação pela enfermeira da unidade, foi conduzida ao Pronto Socorro Municipal da cidade, porém, não resistiu e faleceu no local. A direção da penitenciária adotou todos os procedimentos administrativos de praxe e comunicou a família, sendo oferecido o apoio necessário.

O caso

Em março do ano passado, Ísis Helena, de 1 ano e 10 meses, teve o corpo descartado nas proximidades de um rio em Itapira, no interior de São Paulo, onde morava com a mãe, acusada pela morte da filha. Jennifer foi presa em abril, quando contou à polícia onde estava enterrado o corpo de Ísis. Ela confessou que a criança havia sofrido uma convulsão e se asfixiou com o próprio leite.

Segundo a SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo), a mãe mudou a versão apresentada aos policiais, e passou a sustentar que a filha teve febre, por volta da meia-noite, e recebeu o medicamento ibuprofeno.

Em seguida, Jennifer teria dado mamadeira com leite para a bebê e dormiu por volta das 4h. Às 6h15, ela teria acordado e encontrado a menina já "fria", com "espuma e leite nos cantos da boca".

Ainda de acordo com a versão, a menina teria sofrido convulsões e morrido por asfixia. Então, Jennifer teria se desesperado e decidido levar o corpo da menina para o rio. Em seguida, a mulher disse ter consumido drogas no mesmo local onde relatou ter abandonado a filha.

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