São Paulo Mais quatro corpos são achados em cemitério clandestino em São Paulo

Mais quatro corpos são achados em cemitério clandestino em São Paulo

Previsão é que trabalho em área na zona sul da capital só termine no meio do ano. Ao todo, 27 ossadas já foram retiradas no local

  • São Paulo | Bernardo Armani, da Record TV, e Letícia Dauer, da Agência Record

Cemitério clandestino deve abrigar mais de 50 corpos, estima o delegado Fábio Pinheiro

Cemitério clandestino deve abrigar mais de 50 corpos, estima o delegado Fábio Pinheiro

Reprodução/Record TV

Mais quatro corpos foram encontrados no maior cemitério clandestino de São Paulo, localizado na estrada do Retiro, em Pedreira, na zona sul da cidade, na tarde desta segunda-feira (22).

Ao todo, já foram retirados do local 27 corpos. A estimativa é que haja o dobro, de acordo com o delegado Fábio Pinheiro, do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa). 

O cemitério fica próximo à comunidade do Pantanal, em um antigo aterro sanitário da prefeitura. O local é utilizado por integrantes de uma facção criminosa para enterrar vítimas executadas.

Entre os corpos encontrados nesta segunda, estão o de um homem de 31 anos, que vestia uma camiseta do Palmeiras, e outro, de 34 anos, que usava uma blusa do Flamengo. Os dois corpos estão em estado avançado de decomposição. Uma das vítimas estava desaparecida desde março do ano passado e a outra, sumida desde abril de 2019.

Durante as buscas, a Polícia Civil ainda encontrou documentos dentro de duas covas. Até o momento não há confirmação se os objetos pertencem aos homens encontrados. Das outras duas pessoas, foram encontradas apenas as ossadas.

Em entrevista ao Cidade Alerta, da Record TV, Pinheiro contou que esta foi a terceira incursão da polícia no local. A rapidez do trabalho é inviabilizada pelo tamanho do terreno. São oito ruas e apenas duas e meia foram escavadas. O trabalho também envolve diversas equipes, como o IML (Instituto Médico Legal), cães farejadores. 

O material encontrado é encaminhado ao setor de antropologia forense do IML, onde os ossos são seprados e uma série de análises é realizada. "Vão ver se é ossada de homem ou de mulher, conseguem saber idade ou etnia pelos ossos e depois vem o trabalho de identificação", detalha o delegado. O trabalho de identificação envolve confrontar informações com listas de desaparecidos. 

A busca por corpos também é limitada pela capacidade do setor de antropologia do IML, que recebe até cinco corpos de cada vez, conta Pinheiro. "Isso torna necessário que o trabalho seja feito aos poucos." Em contrapartida, há tantos corpos no local, que o trabalho com a retroescavadeira rapidamente permite encontrar duas a três ossadas. "Se a gente conseguir fazer uma rua inteira sem que nada seja encontrado, vamos precisa de menos tempo", diz o delegado.

Não há um prazo definido para o fim das escavações na região, mas Pinheiro estima que o trabalho seja finalizado até o meio do ano. 

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