São Paulo Manifestantes protestam contra Lei da Migração no centro de São Paulo

Manifestantes protestam contra Lei da Migração no centro de São Paulo

Com cânticos xenófobos, grupo pede que Temer vete nova lei

Manifestantes protestam contra Lei da Migração no centro de São Paulo

Manifestação reuniu menos de 100 pessoas

Manifestação reuniu menos de 100 pessoas

Peu Araújo/R7

Cerca de 80 pessoas protestaram no início da noite desta terça-feira (25) na avenida Paulista, em São Paulo, contra a nova Lei da Migração, aprovada na semana passado pelo Senado e que aguarda sanção presidencial. O ato foi chamado via Facebook pelo grupo Direita São Paulo.

Reunidos em frente à Fundação Cásper Líbero, cerca de 80 manifestantes se misturaram aos universitários e a quem esperava por transporte no ponto de ônibus, dando início a diversos bate-bocas, no atual clima de bipolaridade política. Foi possível ouvir ofensas e elogios a figuras como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância.

Uma estudante que criticou os manifestantes recebeu como resposta, via megafone, um "vai depilar".

"Essa lei vai contra direitos de muitos brasileiros. Nós não somos contra os imigrantes, somos contra essa lei, essa proposta de lei feita pelo Aloysio Nunes", afirma Edson Salomão, um dos líderes do ato e membro do grupo Direita São Paulo.

Às 19h17, o grupo saiu em marcha pela calçada até próximo à rua Campinas diante de 20 policiais militares, duas viaturas e mais quatro oficiais de moto. Eles caminharam na Paulista pela faixa destinada aos ônibus no sentido da rua Consolação.                       

Durante a marcha, os manifestantes adotaram um discurso de ódio contra estrangeiros, principalmente muçulmanos, com frases de efeito como "a feminista de hoje é a mulher de burca de amanhã".

Grupo marchou pela avenida Paulista, da Fundação Cásper Líbero até a Consolação

Grupo marchou pela avenida Paulista, da Fundação Cásper Líbero até a Consolação

Peu Araújo/R7

Ao ser questionado sobre o foco maior aos imigrantes muçulmanos, Salomão se mostrou desconfortável e afirmou que "o islã oferece muito mais perigo entrando hoje na nação, por conta do radicalismo que eles trazem, e isso aconteceu na França e em toda a Europa."

Um pouco depois do Masp (Museu de Arte de São Paulo), o grupo passou por dezenas de manifestantes do Vem pra Rua, que ficam no semáforo pedindo buzinaço em apoio à Operação Lava Jato.

"Quem chegar aqui tem que chegar de cabeça baixa, porque nós que mandamos no País", gritou um dos líderes do grupo.

O ato terminou pouco antes das 20h30 na Praça do Ciclista, quase na esquina com a rua da Consolação.                       

Nova lei da Migração

O plenário do Senado aprovou no dia 18 de abril a nova Lei de Migração, que segue para sanção do presidente Michel Temer. O texto estabelece os direitos e deveres do imigrante e do visitante, regula a sua entrada e estada no Brasil e estabelece princípios e diretrizes sobre as políticas públicas para os grupos.

Entre os princípios da lei, está a garantia ao imigrante da condição de igualdade com os nacionais, a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade e o acesso aos serviços públicos de saúde e educação, bem como registro da documentação que permite ingresso no mercado de trabalho e direito à previdência social. Ao imigrante também será permitido exercer cargo, emprego e função pública, conforme definido em edital, excetuados aqueles reservados para brasileiro nato.

A lei também garante que o estrangeiro não deve ser deportado ou repatriado se houver razões no país de origem que coloquem sua vida e integridade pessoal em risco.

Embora o texto original do projeto fosse do Senado, a matéria passou por diversas alterações na Câmara. Em seu retorno à Casa originária, a proposta foi mantida sem muitas alterações em relação ao texto aprovado pelos deputados, mas o relator, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), fez alguns ajustes.

Um deles foi a retirada de um inciso que inclui a proteção ao mercado de trabalho nacional. Para o senador, “essa diretriz é dúbia”, pois o mercado de trabalho não deve ser fechado e a migração é um fator de seu desenvolvimento.