Incêndio Museu Nacional
São Paulo MASP não possui certificado de segurança contra incêndio

MASP não possui certificado de segurança contra incêndio

Edifício do Museu de Arte de São Paulo, que recebe cerca de 1.500 pessoas por dia, atualmente não possui o laudo de vistoria do Corpo de Bombeiros

De concreto e vidro, MASP tem menos chances de incêndio do que os museus de madeira

De concreto e vidro, MASP tem menos chances de incêndio do que os museus de madeira

Getty Images

O edifício do MASP (Museu de Arte de São Paulo), que recebe cerca de 1.500 pessoas por dia e abriga um dos principais acervos de arte do país, com artistas nacionais e estrangeiros, não possui o laudo de vistoria do Corpo de Bombeiros.

Gasto do Museu Nacional com segurança foi zero neste ano

Chamado de AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), o documento certifica que a edificação possui as condições de segurança contra incêndio previstas pela legislação.

Para conseguir o documento, o proprietário ou gestor deve fazer o pedido no site dos bombeiros. Após uma análise do projeto do prédio, o Corpo de Bombeiros vai ao local fazer uma vistoria.

“A vistoria costuma acontecer no dia seguinte à análise”, informou o capitão do Corpo de Bombeiros Marcos Palumbo. “Não queremos que o administrador [do edifício] tenha prejuízo por culpa do Corpo de Bombeiros, então fazemos a vistoria o quanto antes, mesmo que o prazo legal seja de 30 dias.”

O MASP é um dos museus brasileiros que não possui esse auto, pois “o projeto original do prédio do museu na avenida Paulista não previa a existência de determinadas estruturas que são hoje exigidas para obtenção do AVCB”, informou o museu. Um exemplo é a falta de uma escada de emergência, o museu conta apenas com a escada principal e um elevador. A direção do MASP informou que "planeja executar medidas que atendam à segurança, mas que não prejudiquem as características arquitetônicas do projeto do arquiteto Lina Bo Bardi".

O AVCB deve ser renovado de 1 a 3 anos, dependendo da edificação. Segundo o capitão, o básico que as edificações precisam ter é um sistema de hidrantes (com reserva de água do próprio prédio para ser usada em caso de emergências), sistema de extintor de incêndio, alarmes, sinalização de emergência e brigada de incêndio.

Para o professor de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, José Geraldo Simões o auto serve para a prevenção. “O AVCB é uma peça fundamental na segurança de qualquer prédio. Todo lugar que vá uma grande quantidade de pessoas precisa desse documento aprovado.”

Há uma dificuldade, porém, quando o prédio é antigo e está tombado. “Prédios tombados permitem sim alterações, mas todas devem ser supervisionadas pelo patrimônio histórico”, disse o professor. Apesar da dificuldade, é preciso essa prevenção. “O Corpo de Bombeiros tem uma exigência básica para museus. O bombeiro não pode fazer exigências de obras na estrutura do local, isso é com os órgãos que cuidam de cada prédio”, disse o capitão.

Para não afetar o projeto arquitetônico do edifício, o MASP decidiu instalar, o mais breve possível, um novo sistema de exaustão. “O que permitirá a obtenção do AVCB, eliminando a necessidade de uma escada adicional.” O que ajuda na segurança do MASP, explica a diereção, é sua estrutura. Feito de concreto e vidro, o edifício tem pouco material inflamável, diferente do Museu Nacional ou o da Língua Portuguesa onde o fogo engoliu as estruturas de madeira.

Para Palumbo, cabe ao administrador de cada local entender seu acervo e como protegê-lo. “Existem muitas tecnologias nacionais e internacionais para proteger o acervo de um museu.”

Em nota, a direção do Masp  afimou que “a prevenção de incêndios é uma preocupação permanente, o que se traduz na adoção das medidas de segurança. Exemplo disso é a brigada interna de incêndio, os seguranças, as revisões das instalações elétricas, além da quantidade de hidrantes, extintores e alarmes superior ao que é recomendado.”

*Estagiário do R7, com supervisão de Ingrid Alfaya