São Paulo MCs relatam perseguição em ação policial contra tráfico em SP

MCs relatam perseguição em ação policial contra tráfico em SP

Artistas afirmam que polícia tenta relacionar cantores com tráfico em local onde eles se apresentam. Ação ocorre nesta quinta (25)

  • São Paulo | Kaique Dalapola, do R7

MCs Ryan SP e Amaral foram alvos da polícia

MCs Ryan SP e Amaral foram alvos da polícia

Reprodução/Instagram

A Polícia Civil de São Paulo entrou na casa de pelo menos dez cantores de funk, no início da manhã desta quinta-feira (25), em uma operação contra o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Os artistas relatam perseguição policial.

Cerca de 100 viaturas de todas seccionais do Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital), da Polícia Civil, participaram da ação. Conforme apurado pelo R7, os policiais entraram em casas ligadas aos MCs Hariel, Salvador da Rima, Pedrinho, Ryan SP, Keké, Kauan, Amaral, Léo da Baixada, Neguinho do Kaxeta e Brinquedo, na capital, região metropolitana e Baixada Santista. 

A suposta ligação dos artistas com tráfico de drogas seria por eles fazerem apresentação em um estabelecimento de propriedade de um homem suspeito de integrar a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) na zona leste de São Paulo.

Para os cantores, a operação é uma caça aos funkeiros. "Está claro que tem uma perseguição em cima do funk, porque o fato de a gente cantar em uma favela, fazer uma apresentação e depois ir embora, não significa que temos qualquer relação com o tráfico no local", afirma MC Amaral.

Amaral é cantor e empresário, dono de uma produtora de funk na Baixada Santista. Segundo ele, a polícia entrou em sua casa por volta das 6h e apreendeu dinheiro fictício usado em videoclipes e máquinas de cartões da empresa. Ele não estava no local.

"Querem nos envolver com associação ao tráfico, botar a gente na mídia, e fazer uma pressão na nossa casa, deixar mal visto com os vizinhos. Um monte de polícia para invadir uma casa, como se fossemos o maior traficante do mundo. O maior constrangimento para nós, que somos artistas", diz Amaral.

Nas redes sociais, o MC Ryan SP disse que está com os advogados tratando do caso e afirmou que ficou assustado em saber que policiais estavam em busca dele em uma antiga casa que residia.

"A gente já cresce com uma criação sabendo que o bagulho é louco, e a gente quer fugir dessa realidade de [envolvimento] com polícia, só queremos cantar para deixar nossa família bem sem atrasar o lado de ninguém, e mesmo assim dá essas paradas", disse o cantor.

Ainda nas redes socias, artistas iniciaram uma campanha dizendo que "MC não é bandido" e pedindo por liberdade de expressão aos cantores de funk.

Procurada pelo R7, a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo) disse que a operação ainda está em andamento e detalhes serão passados ao término dos trabalhos.

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