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São Paulo Médica que comparou pandemia a holocausto pede desculpas 

Médica que comparou pandemia a holocausto pede desculpas 

De acordo com hospital, médica fez uma analogia "infeliz e infundada entre o pânico provocado pela pandemia e a postura de vítimas do holocausto"

  • São Paulo | Marcos Rosendo, da Agência Record

Médica pede desculpas por comparar pandemia a vítimas de holocausto

Médica pede desculpas por comparar pandemia a vítimas de holocausto

Danilo Verpa/Folhapress - 19.05.2020

A médica Nise Yamaguchi que foi afastada do Hospital Albert Einstein, localizado na zona sul de São Paulo, pediu desculpas, por meio de nota divulgada na noite desta domingo (12), "por expressões que tenha usado e que causaram interpretações errôneas a um tema sensível que é o sofrimento judaico."

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Ela afirmou ainda que é solidária à dor dos judeus e considerou o holocausto a maior atrocidade da história ocidental. A especialista na área de oncologia e imunologia é uma defensora do uso da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com covid-19.

A direção do Hospital Albert Einstein explicou  que o afastamento foi provocado por uma declaração da médica a um veículo de comunicação.

De acordo com o Hospital Albert Einstein, Nise Yamaguchi fez uma analogia "infeliz e infundada entre o pânico provocado pela pandemia do coronavírus e a postura de vítimas do holocausto."

"Você acha que alguns poucos militares nazistas conseguiriam controlar aquela massa de rebanho de judeus famintos se não os submetessem diariamente a humilhações, humilhações, humilhações...", disse a médica Nise Yamaguchi durante a entrevista.

O Hospital Albert Einstein afirmou que decidiu afastar a médica enquanto analisa se a houve intenção deliberada de ofensa às vítimas do holocausto ou se foi uma frase infeliz, porém sem conotação de desapreço aos judeus.

A médica Nise Yamaguchi, por meio de sua assessoria jurídica, divulgou a seguinte nota de esclarecimento:

"Vem agradecer as inúmeras manifestações de apoio e solidariedade de todos aqueles que compreendem a importância da discussão da Hidroxicloroquina em tratamento precoce do COVID - 19, tendo exercido esse mister conjuntamente com o Doutor Vladimir Zelenko da Comunidade Chassidica de Nova York pela utilização de seu protocolo no Mundo.

Têm orgulho de ser membro do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein por mais de 30 (trinta) anos, possibilitando ajudar e atender inúmeros pacientes. Agradece de forma especial todo o apoio por cartas, e-mails e ligações de diversos membros da Comunidade Judaica, que compreenderam que jamais seria ela antissemita, já que foi ela a maior apoiadora do processo de conversão da sua irmã para o Judaísmo (Greice Naomi Yamaguchi).

Homenageia os brilhantes cientistas judeus na pessoa do seu mentor, o Professor Doutor Reuben Lotan (Z"L) do M.D. Anderson Cancer Center e previamente do Instituto Weizmann de Israel, que muito a apoiou na sua tese de doutorado na Universidade de São Paulo.

Por tudo aqui já relatado, é cristalino o entendimento de que nunca foi ela antissemita, ao contrário, expressa verdadeira e irrestrita admiração ao conhecimento e toda a contribuição que o povo judeu deu ao planeta, quer por suas percepções cientificas, quer pela sua convivência mais íntima.

Por fim, manifesta o pedido de desculpas por expressões outras e interpretações errôneas sobre assuntos sensíveis ao grande sofrimento judaico que envolveram seu nome, pois é solidária à dor dessa ilustre comunidade como a maior das atrocidades de nossa história ocidental.

Suas palavras, objeto de interpretações não condizentes com suas convicções, foram manifestadas no intuito de expressar a maior dor que ela conhece."

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