São Paulo Metroviários de SP mantêm greve após anúncio de corte nos salários

Metroviários de SP mantêm greve após anúncio de corte nos salários

Demanda será somente a manutenção dos salários e direitos e, desta vez, não haverá pedidos por reajustes. Sindicato relata anúncio de corte por e-mail

  • São Paulo | Do R7

Se confirmada, greve ocorrerá a partir de 00h de segunda para terça-feira

Se confirmada, greve ocorrerá a partir de 00h de segunda para terça-feira

Eduardo Knapp/Folhapress - 14.06.2019

O Sindicato dos Metroviários de São Paulo anunciou, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (24), que manterá, por enquanto, a greve marcada para a próxima terça-feira (28), a partir de 00h. A demanda da paralisação será somente a manutenção dos salários e direitos e, desta vez, não haverá pedidos por reajustes salariais.

Haverá, ainda, uma audiência no Tribunal de Justiça de São Paulo às 11h de segunda-feira, precedendo a assembleia da categoria, que ocorre no início da noite. Se não houver uma contraproposta por parte da gestão, a greve será mantida.

As linhas 4 e 5 do Metrô, por possuírem acordos específicos, não farão parte da greve, caso confirmada.

Os coordenadores do sindicato afirmaram que, na noite desta quinta (23), foram surpreendidos com um e-mail do Metrô informando corte de 10% no salário de todos os funcionários.

“Quando tentávamos construir uma proposta para estabelecer um acordo coletivo, tivemos a notícia de que o metro descontaria esse salário de todos os metroviários”, lamentou Wagner Fajardo, coordenador-geral do sindicato.

O sindicato pontua que a decisão do Metrô ataca toda a categoria, deixando o plano de saúde inviável para a maioria dos funcionários, além da intenção de reduzir os adicionais noturnos.

A ideia dos organizadores era realizar a greve em outro momento, e não durante a pandemia de covid-19. Mas, como relatou a coordenadora Camila Lisboa, se viram obrigados a entrar no processo de reunião de campanha salarial. 

“O mínimo que gostaríamos de receber de volta é respeito. E estamos sendo desrespeitados pelo Metrô e pelo Governo de São Paulo”, afimou Lisboa.

A fim de não lesar a população com a greve, os metroviários consideram também a possibilidade de trabalharem com catracas abertas, ou seja, sem cobrarem as passagens dos usuários do transporte.

A entidade avalia que, na iminência de um corte de salários, a baixa deveria ocorrer em maior porcentagem sobre os salários mais altos do Metrô. Segundo o sindicato, mais de 300 pessoas recebem como salário-base, sem considerar adicionais, valores maiores que o teto decretado para o governador do Estado, de R$ 23 mil mensais.

Inicialmente, a greve estava para o dia 1º de julho, mas o TJ-SP pediu pelo adiamento, e então foi marcada para o dia 8. Depois de deliberação em assembleia da categoria, a data ficou para o dia 28, com mais 20 dias para negociações – sem sucesso, como relataram os corrdenadores.

A reportagem pediu um posicionamento ao Metrô de São Paulo a respeito da greve e da redução de salários relatada pelos coordenadores do sindicato. Em nota enviada na noite deste sábado (25), o Metrô deu a seguinte resposta:

A crise econômica provocada pela pandemia do novo Coronavírus é sem precedentes em nossa geração. O reflexo no transporte é enorme, pois transportamos cerca de 35% da demanda normal de passageiros e o Metrô mantém a oferta de trens em até 100% da frota, pois não temos uma crise no setor de transportes e sim uma crise na saúde pública.  Nossa missão é transportar e proteger os cidadãos que precisam de nós para ir ao trabalho.

Diversas medidas de redução de despesas foram realizadas, como a renegociação e suspensão de novos contratos, adoção de Home Office definitivo em setores onde é possível, entregando prédios alugados, concedemos estações a iniciativa privada reduzindo despesas de mais de 30 milhões ao ano e buscando receitas não tarifárias, nossos shopping e lojas de estações reduziram drasticamente a receita não tarifárias pelos seus fechamento.

Como consequência da baixa arrecadação por um longo período, mesmo o Metrô cumprindo com os salários e benefícios de todos os trabalhadores nestes 4 meses, sem haver uma única demissão, realizando toda a operação sem nenhum aporte externo, a empresa somente possui em caixa o suficiente para pagar 90% dos salários de julho dos funcionários, sendo que o restante será pago no decorrer de agosto de acordo com a entrada de novas receitas.

Todas as empresas no Brasil passam por dificuldades neste momento, mantivemos todos os empregos como muitos não conseguiram, mas o nosso papel de transportar e proteger, em combate ao coronavírus, torna a nossa realidade de sobrevivência muito mais desafiadora.

Últimas