Mistérios e dúvidas ainda cercam chacina de família de PMs

Família das vítimas questiona pontos da investigação policial 

Marcelo aparece nas fotos com o pai, o sargento da Rota Luis Marcelo Pesseghini e com a mãe, a cabo Andreia Bovo Pesseghini

Marcelo aparece nas fotos com o pai, o sargento da Rota Luis Marcelo Pesseghini e com a mãe, a cabo Andreia Bovo Pesseghini

Reprodução/Facebook

Uma investigação policial que deu respostas rápidas sobre um crime que chocou a sociedade ainda desperta dúvidas. Cinco corpos foram encontrados na casa da família de policiais militares, na Brasilândia, zona norte de São Paulo, no fim da tarde de segunda-feira (5). Menos de 24 horas depois, as polícias Civil e Militar já diziam ter identificado o autor do crime: Marcelo Eduardo Pesseghini, de 13 anos, filho do casal de PMs assassinados e também encontrado morto com um tiro na cabeça.

A versão sustentada pelos policiais é de que, na sala da casa, o adolescente atirou no pai, o sargento da Rota Luis Eduardo Pesseghini e na mãe, a cabo Andreia Bovo Pesseghini. Em seguida, em outra casa no mesmo terreno, ele também atirou na avó, Benedita Oliveira Bovo e na tia-avó, Bernadete Oliveira da Silva, que não morava lá, mas tinha ido dormir com a irmã. Todas as vítimas levaram um único tiro na cabeça. Para a Polícia Civil, a única pessoa que poderia não estar dormindo na hora do crime era a mãe, encontrada de joelhos, ao lado do colchão onde o marido estava.

Logo após os assassinatos, por volta de 1h, Marcelo teria pegado o carro de Andreia e dirigido até a rua da escola onde estudava, a cerca de 5 km de casa. Ele teria ficado dentro do veículo até 6h20, quando foi flagrado por uma câmera de segurança saindo do carro e caminhando sozinho, com uma mochila, até a escola. Professoras e colegas afirmam que ele foi à aula normalmente naquele dia. O rapaz voltou para casa de carona com um amigo e teria se matado em seguida, também com um tiro na cabeça, na sala onde os pais foram mortos.

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Família

A família dos PMs não acredita na versão apresentada pela polícia. O irmão de Bernadete e Benedita, e tio de Andreia, que não quer ser identificado, disse ter recebido dois telefonemas que seriam da escola de Marcelo, logo que entrou na casa, quando os corpos foram achados.

— No dia desse crime, eu cheguei com meu filho na casa, estava cheio de polícia, e o telefone da minha irmã tocou. Eu nem tinha visto o corpo da minha irmã. Eu fui e atendi ao telefone, achando que era parente. A voz de uma mulher falou, "é a casa do Marcelinho?". Eu falei, "quem quer falar com ele?". Ela disse, "é da escola, é porque o Marcelinho não veio para a escola hoje".

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Apesar de ser uma informação que poderia mudar toda a cronologia montada pela polícia, o tio admitiu que não contou isso em depoimento no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa). Informado, o delegado Itagiba Vieira Franco, disse que vai chamá-lo novamente para depor. 

Segundo o tio-avô de Marcelo, o menino adorava o pai, a mãe e a avó, que o criou porque os pais trabalhavam. 

— O pai dele era o orgulho dele. Ele sempre falava que queria ser, quando crescer, policial da Rota. Ele tinha roupinha de policial da Rota. [...] A avó era tudo para aquela criança. Eu não acredito que o Marcelinho fez uma coisa dessas.

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