Tragédia no centro de São Paulo
São Paulo Moradores acusam líderes de movimento do prédio incendiado

Moradores acusam líderes de movimento do prédio incendiado

Famílias reclamam da falta de apoio das lideranças depois do incêndio e contam como era feitas as cobranças dentro da ocupação

Placa feita pelos moradores em protesto contra a liderança da ocupação

Placa feita pelos moradores em protesto contra a liderança da ocupação

Fabíola Perez/R7

Famílias que viviam no edifício Wilton Paes de Almeida, que desmoronou após um incêndio na madrugada da terça-feira (1º) afirmam que enquanto tentavam escapar das chamas, as lideranças saíram do edifício em um carro estacionado nas proximidades do prédio. "Não pudemos contar com a ajuda deles para nada. Achei que estariam aqui para nos dar pelo menos o dinheiro do aluguel que pagávamos, mas não ninguém viu eles", diz uma moradora do primeiro andar que não quis se identificar por medo.

Além disso, os moradores afirmam que dois membros da coordenação do movimento que ocupava o edifício tinham casa própria, segundo eles, às custas do valor do aluguel cobrado no edifício. As famílias pagavam R$ 300 pelo aluguel do quarto. Mas, segundo outra moradora, todos os serviços eram cobrados separadamente. "Pagamos a taxa de R$ 20 para lavar as escadas", diz a moradora do primeiro andar.

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Segundo ela, para serviços como troca de chuveiro e fiação também eram contados valores entre R$ 30 e R$ 50. "Nessa ocupação as coisas eram extremamente precárias. Os valores cobrados não se tornavam benefícios para os moradores", diz a filha da moradora do primeiro andar. "Eles usavam o dinheiro em prol deles."

De acordo com a família, a coordenadora do movimento teria uma casa em Francisco Morato e seu genro, outro coordenador, um homem de cerca de 50 anos, teria adquirido um terreno de R$ 25 mil em Itaquera. "Ela abandonou todos nós e saiu em um carro", diz a moradora que disse ser vizinha da coordenadora do movimento.

A família conta que não era permitido o atraso do aluguel no prédio. "Ela cobrava e batia de frente com as pessoas", afirmaram. O prédio, segundo moradores, não possuía encanamento e por isso a água do esgoto escorria diretamente para a garagem. "O subsolo era cheio de água", diz a mãe de uma das moradoras. Outro problema, segundo as famílias, é que as lideranças não teriam controle sobre os moradores: "se pagassem os R$ 300 todo mundo podia entrar, inclusive, usuários de drogas. Homem que batia em mulher e pagava o aluguel também podia ficar."

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A reportagem está desde a manhã desta quarta-feira (2) no local do desabamento e não conseguiu localizar os líderes do movimento que coordenavam a ocupação no edifício Wilton Paes de Almeida.

Uma moça só se identificou como Carla disse que é parte do apoio do movimento MLSM. Ela afirmou que está 34 horas acordada e trabalhando para auxiliar as pessoas que ficaram sem moradia. Sobre as denúncias ela disse que a coordenadora do movimento está hospitalizada, mas não soube informar em qual hospital. Quesitonada o outro coordenador do movimento, que teria saído do loca de carro, ela disse que "não tinha informações".

A reportagem do R7 conseguiu dois celulares que seriam dos líderes, mas ninguém atendeu as ligações.