São Paulo Moradores do centro de SP criticam organização do Carnaval de rua

Moradores do centro de SP criticam organização do Carnaval de rua

Eles temem problemas e prejuízos, e pretendem cobrar publicamente os responsáveis em dossiê a ser entregue para o Ministério Público

Movimento afirma não ter conseguido dialogar com secretário de Cultura

Movimento afirma não ter conseguido dialogar com secretário de Cultura

TIAGO QUEIROZ/ ESTADÃO CONTEÚDO

Preocupados com a chegada do Carnaval de Rua de 2020, moradores do Centro Novo, na região central de São Paulo, se reuniram para denunciar a organização da prefeitura para a folia. O Renova Centro, formado por mais de 300 moradores e profissionais que mantêm negócios na região, ainda pretende fazer um dossiê a ser entregue ao Ministério Público, para cobrar publicamente os responsáveis pelos eventuais danos.

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"Não tem diálogo com a prefeitura. Por isso que estamos recorrendo ao MP, já com a ideia de pedir indenização pelo os incômodos, inclusive para os patrocinadores", diz Carlos Beutel, dono de um restaurante que funciona há 30 anos na região. 

O documento vai ter registro das ocorrências nos blocos e ainda monitorará as condições da região central antes, durante e depois da folia. A prefeitura deve anunciar estrutura recorde (veja nota abaixo) em detalhes para o Carnaval de Rua ainda nesta semana e disse ao R7 que "todos os blocos, trajetos, datas e horários, foram pensados e planejados para diminuir ao máximo o impacto aos munícipes e à cidade".

Beutel, porém, prevê que os problemas devem continuar a ocorrer: "O Carnaval mais uma vez vai ser um caos". 

Roubos, álcool e falta de segurança

O chamado "Centro Novo" é a região compreendida entre o Vale do Anhangabaú, a Praça da República, o Viaduto do Chá, as avenidas Ipiranga e São João e o Teatro Municipal, que costuma ser ocupada por blocos no feriado. "Fica uma coisa incontrolável. Poluição sonora das 8h da manhã até às 10h, 11h da noite. Você vê as pessoas em coma alcoólico e não tem quem socorra. É uma irresponsabilidade da prefeitura tanto em relação aos foliões quanto aos moradores", contou o comerciante.

Ele ainda explicou que não vê como possível a organização de grandes blocos no centro sem prejuízos, considerando a quantidade de pessoas que participam, o consumo de álcool e a falta de policiamento. Outros moradores citam o trajeto dos blocos entrecruzados, a falta de banheiros públicos e as agressões ambientais a canteiros e praças do centro. 

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Para José Cury, coordenador do Fórum de Blocos de São Paulo, que participou da comissão de blocos para organizar o Carnaval deste ano com a gestão municipal, a solução passa também pelos organizadores dos megablocos.

"Os blocos grandes têm que assumir responsabilidades. A gente tem, enquanto produtor de blocos, que ter responsabilidade com a cidade. A prefeitura não consegue de um dia para o outro colocar banheiros porque o meu bloco vai ter 100 mil pessoas", afirma Cury. Desta forma, segundo ele, organizadores das maiores festas deveriam colaborar com a gestão municipal, contratatando mais serviços para a segurança e conforto dos foliões e dos moradores. 

"Queremos que haja respeito aos moradores, comerciantes e aos próprios foliões. Portanto, tem que ser blocos mais adequados, para o tamanho do centro da cidade, que não tem avenidas largas ou rotas de fuga", concluiu Carlos Beutel. 

Diálogo com a prefeitura

Os representantes de blocos têm reclamado do diálogo com a prefeitura no processo de organização da festa. Segundo Cury, que participa das reuniões com a prefeitura desde agosto do ano passado, a relação tem sido pouco transparente, a poucos dias do início da festa. 

"A comissão perdeu o poder de articulação com algumas mudanças que o secretário fez. Hoje a gente não participa das decisões finais", disse ele, sobre a comissão que representava os blocos nas negociações com a prefeitura. O coordenador explicou que a gestão municipal trocou a equipe responsável pela organização no meio das negociações, que tem "outra metodologia de trabalho".

"Pensamos em um modelo diferente para não agredir a cidade. Vamos ver se o modelo que o secretário colocou, que não é nosso exatamente, vai dar certo. A gente não quer ser o maior Carnaval do Brasil, queremos fazer o melhor. Estamos aqui como uma âncora querendo a qualidade", disse José Cury.

Prefeitura

Em nota, a prefeitura afirmou que a estrutura para o Carnaval de Rua de 2020 deve ser maior que a de todos os outros carnavais na cidade. Veja a resposta na íntegra:

A Comissão Intersecretarial de Carnaval informa que, para 2020, o número de contratações de banheiros químicos, estrutura, entre outros itens, será recorde comparado a outros carnavais. Assim também como, equipes de limpeza, segurança e orientação de trânsito. Além disso, todos os blocos, trajetos, datas e horários, foram pensados e planejados para diminuir ao máximo o impacto aos munícipes e à cidade.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Ana Vinhas