Tragédia no centro de São Paulo
São Paulo Moradores pagavam até R$ 400 por mês para viver em prédio que ruiu

Moradores pagavam até R$ 400 por mês para viver em prédio que ruiu

Refugiados e brasileira que viviam no local relatam momentos de pânico para deixar a construção em meio às labaredas

Incêndio sp

Augustin relata repasse de R$ 210 ao mês para morar em prédio que desabou

Augustin relata repasse de R$ 210 ao mês para morar em prédio que desabou

Arquivo Pessoal

Pessoas que moravam no prédio que pegou fogo e ruiu (veja imagens abaixo), na madrugada desta terça-feira (1º) no centro de São Paulo, relatam o pagamento de um aluguel mensal para poder viver no local, que pertencia ao Ministério do Planejamento e estava ocupado.

Moradores ouvidos pela reportagem do R7 afirmaram que repassavam de R$ 200 a R$ 400 por mês para poder morar no local. O valor pago variava conforme o tamanho do espaço ocupado. O local havia sido ocupado pelo Movimento de Luta Social por Moradia.

Jéssica Santos dos Santos, 18 anos, morava no quarto andar com o marido e uma menina de três meses. Ela pagava R$ 210, mas não soube dizer quem recebia o dinheiro.

Na hora do incêndio, disse que estava dormindo e foi acordada pelo marido. Não conseguiu salvar nem o registro de nascimento da filha: "Meu marido ouviu e me avisou. Eu dei a menina pra ele e saí depois".

Temer visita local da tragédia e é recebido por vaias

Sobrevivente da tragédia, o refugiado do Congo Augustin Buanga Nimi, que vivia no 7º andar e trabalha como gari, relata que pagava R$ 210 todo mês. Questionado a quem repassava o dinheiro, o senhor de 50 anos disse apenas que era para a “coordenadora do prédio”.

Dona Rosa Bernadette, refugiada angolana que chegou ao Brasil em 2016, também morava no prédio que ruiu. Ela afirmou ao R7 que trocou uma ocupação na Consolação, onde pagava R$ 350 por mês, pelo prédio que desmoronou nesta terça-feira.

— Estava muito caro na Consolação e resolvi vir para cá porque passei a pagar R$ 200. Eu morava com meus três filhos e meu cunhado no 5º andar.

Os filhos de dona Rosa não se feriram, porque não estavam no local da tragédia. Porém, o cunhado dela permanece desaparecido: “Não sei se está vivo ou se está morto”.

Outra moradora do 5º andar, Ana Paula Santos afirmou que a família pagava R$ 400 para morar na ocupação. “Ouvi um estrondo. Achei que fosse tiro, fui olhar pela janela e vi o fogo. Foi o tempo de pegar as minhas crianças e sair correndo. Tentamos avisar as pessoas. Foi um desespero", conta.

Daiane da Silva Rodrigues, de 27 anos, relata o pagamento de R$ 200 de aluguel. Rejane de Oliveira, 34 anos, mãe de 4 filhos, estava há um ano na ocupação e pagava aluguel de R$ 300 por mês.

Indignado, Jaime Ribeiro Neves, outro morador, pergunta onde está a coordenação do movimento social que cobrava o aluguel.

— Onde estão agora? Não tem ninguém aqui! Pessoas perderam tudo, morreram!

A destinatária do “aluguel” da ocupação seria de acordo com os relatos uma senhora chamada “Dona Nilda”. A reportagem do R7 tentou contato com o Movimento de Luta Social por Moradia e a Frente de Luta por Moradia mas não obteve retorno.