São Paulo Motorista que matou cicloativista em SP poderá ir a júri popular

Motorista que matou cicloativista em SP poderá ir a júri popular

TJ-SP aceitou pedido do MP-SP e reclassificou crime como homicídio doloso por dolo eventual, aquele em que se assume o risco de matar

  • São Paulo | Letícia Dauer, da Agência Record

O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) aceitou o pedido do MP-SP (Ministério Público de São Paulo) para responsabilizar José Maria da Costa Junior, que atropelou e matou a cicloativista Marina Kholer Harkot, por homicídio doloso por dolo eventual, quando se assume o risco de matar, nesta quinta-feira (26).

Cicloativista morreu atropelada na zona oeste de SP

Cicloativista morreu atropelada na zona oeste de SP

Reprodução/Facebook

Inicialmente o motorista havia sido indiciado por homicído culposo, quando não há intenção de matar.

De acordo com o pedido do MP-SP, "como agora há provas de que o indiciado estava alcoolizado, em possível velocidade excessiva e agiu com indiferença quanto à morte, o promotor de Justiça Marcello Penteado entendeu que há indícios de homicídio doloso". O Tribunal ainda irá decidir se o caso vai a júri popular.

O crime


Marina foi atingida enquanto trafegava de bicicleta pela Avenida Paulo VI, em Pinheiros, na zona oeste, às 0h17 de domingo (8). O Samu chegou a ser acionado por outras pessoas, mas a jovem morreu no local.

Veja também: Mulher que acompanhava motorista que matou cicloativista é indiciada

Costa Júnior teria deixado de prestar socorro e fugido do local, segundo investigadores. Ele passou mais de 48 horas foragido até se entregar na delegacia na terça-feira (10), na companhia de advogados.

A avenida em que Marina foi atropelada tem quatro faixas e a socióloga estaria pedalando na última, perto do parapeito, de acordo com a investigação. Na via, a velocidade máxima permitida é de 50 km/h.

Quem era Marina Harkot


Marina era ativista feminista e de movimentos que defendiam melhores políticas de mobilidade urbana. Levou sua luta também para a vida acadêmica. Formada em Ciências Sociais pela USP, era mestra e doutoranda pela FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP), onde atuava como pesquisadora colaboradora do LabCidade (Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade).

Segundo informações de seu currículo Lattes, ela vinha se aprofundando em sua pesquisa de doutorado "no debate sobre segregação socioterritorial a partir de abordagens de gênero, raça e sexualidade". Na dissertação de mestrado, defendida em 2018, Marina já havia estudado a relação entre gênero, mobilidade e desigualdade.

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