Motoristas de app ficam horas nas ruas e não carregam ninguém

Sem direito a ficar de quarentena, motoristas veem esvaziamentos das ruas prejudicar seus rendimentos. Auxílio aprovado na Câmara dá esperança

99 iniciou serviço de higienização em carros

99 iniciou serviço de higienização em carros

Divulgação/99

A crise causada pelo covid-19 e a necessidade de as pessoas continuarem dentro de casa para evitar a propagação do novo coronavírus impacta diretamente a vida de quem não pode se dar o direito de ficar em quarentena, como os motoristas de aplicativos.

No entanto, o esvaziamento da cidade é um drama para quem insiste em ir para as ruas tentar trabalhar. É o caso de Daniel Drager, que há quatro anos trabalha como motorista de Uber e 99 e a função é sua única fonte de renda. Mesmo seguindo todas recomendações de higiene e proteção, como disponibilização de álcool em gel e uso de máscara, vê seus ganhos ficarem cada vez menores.

“Está muito ruim. A gente está conseguindo fazer um terço ou, quando muito, metade das nossas metas diárias, trabalhando bastante tempo”, afirma Daniel. Segundo ele, o tempo que trabalhava para fazer cerca de 10 viagens no dia, atualmente pega em torno de três passageiros. A média é de uma viagem a cada quase quatro horas.

Já a motorista Sarah Kerlin, 23 anos, sequer consegue iniciar sua jornada de trabalho. Como mora no extremo da zona leste de São Paulo, ela não vai para as regiões com mais demanda por causa do risco de ficar com prejuízo. “Não tem corrida, eu já fiz o teste de ir para lugares que costumam ter um maior número de demanda e voltei para casa com o carro vazio, então eu gastei um combustível que não poderia e foi um dinheiro jogado no lixo”, explica.

Ainda existem os casos como da motorista Dani Taiba, 44 anos, que parou de ir para as ruas no último dia 19, depois de começar a ficar resfriada e ser asmática, portanto, integrar o grupo de risco do novo coronavírus.

Dani, que é presidente da Amiesp (Associação dos Motoristas Independentes do Estado de São Paulo), acredita que as empresas tem adotado medidas importantes para o motorista, no entanto, ainda vê desespero nos motoristas que estão ficando cada vez mais apertadas financeiramente.

Desde o início da luta para conter o avanço do novo coronavírus, as empresas tem adotados medidas para dar assistência aos motoristas e segurança aos usuários. A Uber, por exemplo, disponibiliza, desde a última quinta-feira (26), um “vale de saúde” que oferece aos motoristas e familiares “descontos em consultas médicas em rede de atendimento privada e mais de 3.000 tipos de exames laboratoriais e de imagens”.

Já a 99 iniciou nesta sexta-feira (27), em parceria com uma startup, um projeto piloto de higienização gratuita para carros de motoristas parceiros. “O procedimento inédito no Brasil começa a funcionar em fase de testes no bolsão de estacionamento do aplicativo, no Aeroporto Internacional de Guarulhos”, disse a empresa.

Antes disso, a empresa afirma que já havia adotado como medida dar “uma ajuda financeira, em forma de doação, aos condutores diagnosticados com coronavírus (Covid-19) ou colocados em quarentena por uma autoridade médica”.

Medida semelhante também havia adotada a Uber, que disponibiliza uma assistência financeira por até 14 dias aos motoristas que tenham sido diagnosticado com o novo coronavírus ou integram grupo de risco e precisam ficar de quarentena.

A maior esperança dos motoristas, no entanto, é o auxílio que deve vir do Governo Federal. Eles ficaram animados com a aprovação na Câmara, na noite de quinta-feira, do projeto que prevê o pagamento de R$ 600 aos autônomos.

Agora, segundo Sarah, a única saída é ficar na torcida para que isso passe. “Mantenho a esperança de que logo irei acordar e todo esse pesadelo vai passar, enquanto isso, pretendo ocupar a mente estudando, cuidando da casa e buscando oportunidades para entrar um dinheirinho”.