Movimento negro vê desrespeito em antecipação de feriado em SP

Carta argumenta que proposta da prefeitura paulistana é desrespeitosa com população negra no Brasil e ineficaz, e pede políticas públicas diretas

'Prefeitura quer fugir do enfrentamento da raiz do problema', aponta a carta

'Prefeitura quer fugir do enfrentamento da raiz do problema', aponta a carta

Marcelo Rocha/Futura Press/Folhapress

Movimentos negros e outras instituições de todo o país se posicionaram contra a antecipação do feriado de 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra, como forma de aumentar a taxa de isolamento social em São Paulo e impedir a propagação do novo coronavírus. O texto, assinado por 13 entidades, afirma que a medida é desrespeitosa com a história dos negros no país.

A carta indica que as taxas de isolamento estão baixas porque boa parte dos empregadores seguem exigindo que os trabalhadores compareçam nos locais de trabalho. Como argumento, o texto aponta para o fato de que as taxas de isolamento social aumentam aos finais de semana e reduzem nos dias de semana.

O alto índice de desemprego e precarização de trabalho, segundo a nota, fez com que muitas pessoas ingressassem no trabalho informal para se sustentarem por conta própria: “Para estes não existem finais de semana, feriados e nem isolamentos sociais sob pena de não ter o dinheiro mínimo para sustentar suas famílias”.

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O texto pede apoio às populações negras e pobres do país, e defende que a única forma de se garantir o isolamento social é “instituir mecanismos de transferência de renda para estes trabalhadores em uma situação em que possam garantir os seus sustentos”. Argumenta-se, ainda, que com um ou dois feriados antecipados não se resolverá a pandemia do novo coronavírus.

“A prefeitura quer fugir do enfrentamento da raiz do problema que é justamente a precarização do trabalho na cidade”, prossegue a nota, que propõe um misto de políticas públicas como programas de auxílio emergencial a nível municipal, instalação de centros provisórios de referência de combate ao vírus nos bairros periféricos, distribuição de kits de higiene, testagem massiva, respiradores em grande quantidade, entre outras medidas.

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Por fim, a carta defende que a antecipação do feriado – “o único feriado existente no calendário que foi fruto de lutas de um movimento social brasileiro” – desrespeita a história da população negra no Brasil. 

“A população negra é a que mais tem se vitimizado com a epidemia. É a que mais tem se exposto a contaminação porque está neste segmento que é obrigado a sair às ruas para garantir o seu sustento. Não é justo que seja chamada também a renunciar a uma conquista sua”, conclui o texto.