São Paulo MP decifra comunicação e estrutura financeira do PCC

MP decifra comunicação e estrutura financeira do PCC

Após Operação Sharks, foi descoberto que Grupo adota apelidos inspirados em série espanhola, sobre quadrilha que planeja roubo à casa da moeda

  • São Paulo | Thiago Samora e Márcio Neves, da Record TV

O Ministério Público descobriu como os membros da principal facção criminosa de São Paulo se comunicam após investigações da Operação Sharks, realizada pelo grupo de atuação especial de combate ao crime organizado. É o que revelam documentos obtidos com exclusividade pelo núcleo de jornalismo investigativo da Record TV.

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MP e PM atuaram na Operação Shark

MP e PM atuaram na Operação Shark

Reprodução / Record TV

Os responsáveis por movimentar grandes quantias de dinheiro usam apelidos inspirados em uma famosa série espanhola, sobre uma quadrilha que planeja invadir e roubar a casa da moeda.

Argentina, Austrália, Turquia, Jamaica, Inglaterra, Equador, Bolívia, Congo, Egito. Na lista, não são países, mas os apelidos de integrantes do PCC. A operação começou a partir da prisão do homem apelidado como Alemanha, Robson Sampaio de Lima.

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A investigação descobriu como se organiza parte da estrutura financeira da facção. Alemanha é apontado como o chefe do setor. Acima dele, estão Marcelo Moreira Prado, chamado de "amigo", que seria o responsável por repassar as ordens da cúpula para o setor financeiro. Assim como Eduardo Aparecido de Almeida, mais conhecido como "Cássio". Ambos viviam no Paraguai e foram presos em 2018.

Argentina é, segundo o Ministério Público, Odair Lopes Mazzi Júnior, a pessoa que mais mantém contato com Alemanha na hora de fechar negócios. Ele é um dos responsáveis pela logistica do tráfico de drogas. Espanha seria Gratuliano de Sousa Lira, o responsável pelo controle dos pontos de venda de drogas e pelo tráfico de maconha.Indonésia foi identificada como Carla Luy Riciotti Lima. A missão dela seria organizar o esquema de comunicação entre os membros da facção.

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Além de metralhadoras e fuzis, a expansão dos negócios do grupo criminoso depende hoje de outra arma: os celulares. De acordo com a investigação, apenas uma pessoa ligada ao setor financeiro é responsável pela compra dos telefones, inclusão de contatos na agenda e instalação de aplicativos. São usados programas para troca de mensagens pouco conhecidos com o objetivo de dificultar o monitoramento e a quebra de sigilo das conversas.

É comum o envio de códigos como este, o "qrcode", pelo celular. Uma chave para entrar em salas secretas de bate-papo. O processo de decodificação precisa de um trabalho por trás de um fabricante, então existem poucas ferramentas disponiveis, principalmente no mercado nacional.

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Uma outra razão é que normalmente os fabricantes desses aplicativos menos conhecidos no Brasil, não têm filial no território nacional. Com isso, de certa forma, eles não respondem às leis e nem às determinações da Justiça do Brasil, por exemplo, num mandado de busca e apreensão.

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