Tragédia no baile da 17

São Paulo MP diz ter provas para denunciar PMs por tragédia no Baile da Dz7

MP diz ter provas para denunciar PMs por tragédia no Baile da Dz7

Promotora afirma que PMs tiveram a intenção de encurralar jovens durante ação no baile funk em dezembro de 2019, que terminou com nove vítimas

  • São Paulo | Gabriel Croquer*, do R7

Manifestantes seguram cartazes com foto dos nove jovens mortos no baile

Manifestantes seguram cartazes com foto dos nove jovens mortos no baile

Jardiel Carvalho (F)/Folhapress - 04/12/2019

O Ministério Público de São Paulo diz já ter provas suficientes para denunciar os policiais militares que participaram da operação no baile da Dz7, em Paraisópolis, que terminou com a morte de nove jovens, entre 14 e 23 anos, na madrugada do dia 1º de dezembro do ano passado. 

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Segundo a promotora Luciana André Jordão Dias, os policiais militares tiveram a intenção de encurralar os jovens frequentadores de baile funk, que reunia aproximadamente 5 mil pessoas. A promotora também afirma que os agentes sabiam que as pessoas não teriam uma rota de fuga disponível e que a situação poderia acabar em tragédia. 

A chegada da polícia ao baile ocorreu durante um patrulhamento na Operação Pancadão, o que causou tumulto. De acordo com a Polícia Militar, policiais do 16º Batalhão Metropolitano reagiram após dois homens em uma moto efetuarem disparos de arma de fogo.

Houve perseguição e os agentes, que também estavam de moto, seguiram os homens até o baile funk que acontecia na comunidade. O evento reunia, por volta das 4h, cerca de 5.000 pessoas. A PM afirma que os criminosos continuaram atirando enquanto fugiam.

A versão é contestada por familiares e participantes do baile, que apontaram truculência na ação da polícia.

Após a tragédia, o DHPP, da Polícia Civil de São Paulo, instaurou uma investigação para apurar a ação de 31 policiais no baile funk. A Corregedoria da Polícia Militar também abriu inquérito, com a conclusão de que a ação dos policiais foi lícita e em em legítima defesa

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Laudos oficiais apontaram que as nove vítimas naquela madrugada morreram após serem pisoteadas pela multidão, que foi dispersa na ação policial.

Em nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) afirmou que "a autoridade policial responsável pelas investigações está adotando as medidas cabíveis para prestar os esclarecimentos solicitados pelo Ministério Público Estadual".

O órgão adicionou que os 31 policiais investigados já prestaram depoimento e permanecem em trabalho admnistrativo. 

*Estagiário do R7, sob supervisão de Clarice Sá

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