São Paulo MP faz acordo para shopping de luxo em SP receber crianças de rua

MP faz acordo para shopping de luxo em SP receber crianças de rua

Termo foi viabilizado após Shopping Higienópolis pedir autorização à Justiça para levar jovens moradores de rua à PM

  • São Paulo | Gabriel Croquer, do R7

Seguranças do shopping foram acusados de racismo nos últimos anos

Seguranças do shopping foram acusados de racismo nos últimos anos

MÁRCIO FERNANDES DE OLIVEIRA/ ESTADÃO CONTEÚDO - 20/06/2011

Mais de dois anos depois de pedir à Justiça para retirar jovens em situação de rua de suas dependências para levar diretamente à Polícia Militar ou a Conselhos Tutelares, o Shopping Pátio Higienópolis firmou nesta quinta-feira (30) um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público de São Paulo para receber e garantir "interação adequada" este grupo. 

O acordo foi viabilizado no âmbito de inquérito instaurado pelo MP para investigar a intenção do pedido do shopping à Justiça de São Paulo. Na época, a solicitação alegava que os menores desacompanhados praticavam vandalismo, depredação e furtos e também pedia por inspeções períodicas do Conselho Tutelar no local. O pedido foi negado pela Justiça.

De acordo com o termo firmado agora, o shopping se compromete a formar seus seguranças privados com foco na capacitação em direitos de crianças e adolescentes e na abordagem adequada a este grupo. 

O acordo prevê ainda a criação de um Núcleo Social para acompanhar as medidas destinadas a jovens carentes e doações ao Fundo Municipal da Criança e do Adolescente. 

Nos últimos anos, seguranças do Shopping Higienópolis foram denunciados de racismo. Em um dos casos, em 2017, o filho de sete anos de um artista plástico foi confundido com um pedinte por uma vigilante, que abordou a família. 

Outro episódio, em 2018, também envolveu pai e filho. Ao entrarem no shopping, os dois foram parados por um segurança, que pediu ao filho, moreno, para que tirasse a mãos de dentro do bolso do casaco. Questionado pelo pai, o agente teria respondido que estava armado e "podia fazer isso". 

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