São Paulo Mudança no Bilhete Único exigirá acordo entre funcionários e patrões

Mudança no Bilhete Único exigirá acordo entre funcionários e patrões

Usuário do vale-transporte terá 3 horas para fazer até dois embarques, utilizando a tarifa de R$ 4,30. Estudantes e autônomos não serão afetados

  • São Paulo | Plínio Aguiar, do R7

Prefeito de São Paulo, Bruno Covas alterou regras no uso do Bilhete Único

Prefeito de São Paulo, Bruno Covas alterou regras no uso do Bilhete Único

Avener Prado/Folhapress - 01.04.2017

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), publicou no sábado (23) um decreto que provoca mudanças no uso do Bilhete Único Vale-Transporte.

De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem do R7, a alteração é vista de maneira positiva, mas vai exigir acordos entre funcionários e empregadores, principalmente daqueles que moram mais distante do trabalho.

Ainda segundo o decreto, estudantes e trabalhadores autônomos que utilizam o Bilhete Único Mensal não serão afetados pelas mudanças.

O decreto estabelece que o usuário da modalidade vale-transporte tem 3 horas para fazer até dois embarques nos ônibus municipais, utilizando apenas uma tarifa de R$ 4,30. Hoje, o vale-transporte permite que o usuário embarque em até quatro ônibus durante 2 horas.

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“Essa mudança irá impactar, diretamente, na relação de empregadores e funcionários de uma empresa. As pessoas que moram mais distante do trabalho devem tentar uma negociação com o patrão para que ele, exercendo a função e o dever, pague a condução do empregado no sentido casa-trabalho e vice-versa, porque a prefeitura não vai mais arcar com esse custo”, explica o engenheiro e especialista em trânsito e tráfego da Universidade Presbiteriana Mackenzie de Campinas Luiz Vicente.

Segundo o decreto, nos domingos e feriados, a integração poderá ser feita em até quatro embarques no período de oito horas, desde que a última recarga tenha sido feita no valor mínimo de quatro tarifas. Outro trecho do texto permite à SPTrans “promover a exploração econômica de publicidade nos cartões do Bilhete Único, em qualquer de seus perfis, modalidades e categorias”.

A medida, na visão do ex-secretário de Transportes de São Paulo, Getúlio Hanashiro, é um jeito para que a prefeitura da cidade mais rica do país arrecade mais dinheiro. “É um avanço porque diminui a quantidade de subsídio que é repassado para as empresas de ônibus. Sobra muito pouco para o órgão público, para fazer mais investimentos e custear ao mesmo tempo”, justifica. “A mudança vai impactar uma parcela da sociedade, que é quem usa mais o cartão e mora mais distante do trabalho, mas é uma parcela pequena.”

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“Não tem como bancar tudo, simplesmente não tem. Precisamos ser realistas, e beneficiar os que menos podem, mas até um certo limite. E, então, você tem uma distribuição mais justa do poder público, empregador e usuário”, afirma o ex-secretário.

No entanto, o professor alerta sobre a possibilidade do uso de marketing no Bilhete Único. “A prefeitura pode fazer isso, e não tem nenhum problema. Mas é mais um motivo para que essas contas sejam transparentes. A prefeitura deve chegar e mostrar que tem um problema, como argumentam sobre essa mudança, mas precisam escancarar as contas, o que foi usado e como vai ser agora, de forma que todos os que são impactados pelo transporte saibam”, disse.

O novo texto prevê, também, a ampliação do uso do Bilhete Único como forma de pagamento para além do sistema de trem, metrô e ônibus. O cartão poderá ser utilizado “nos meios motorizados e não motorizados de transporte urbano de passageiros, tanto coletivos quanto individuais, de natureza pública ou privada”. A medida, então, abre a possibilidade de uso do cartão para pagamentos de bicicletas e patinetes, assim como transporte individual e táxi. A ação é vista com bons olhos pelos dois especialistas em transporte público.

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“É um avanço, mas é preciso também um gerenciamento para não misturar as coisas. É ter um consenso em separar o material de custo e ressarcimento desses custos”, disse o ex-secretário. “É um ponto favorável a população, sem dúvida. Claro, talvez possa não ser os mesmos valores, a depender dos modais que participarem dessa forma de pagamento em seus produtos. É uma medida legal, assim como a não necessidade do cartão físico (agora passa a valer o virtual)”, acrescenta o professor. 

Procurada pela reportagem, a Cabify disse que está analisando o “decreto que classificou como um sinal de avanço do poder público para a integração de diversos meios de transporte urbanos”. Em nota, a 99 disse que o novo decreto "amplia as possibilidades de uso do Bilhete Único, colocando o município no caminho de um sistema de transportes mais moderno e multimodal". Em seguida, informou que vê a "integração de meios de pagamento como uma etapa necessária para que usuários usem aplicativos de mobilidade em complemento ao transporte público", e disse estar trabalhando para incluir o bilhete como modo de pagamento em seu app. A Uber, por sua vez, ainda não se pronunciou.

Arte / R7 / 25.02.2019

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