Pandemia da pobreza

São Paulo 'Não temos socorro de ninguém', lamenta comerciante de SP

'Não temos socorro de ninguém', lamenta comerciante de SP

Proprietário de loja na zona oeste da capital paulista atende aos clientes em casa, teme fechamento e demissão de funcionários

Comerciantes de SP relatam prejuízos por fechamento durante a pandemia

Comerciantes de SP relatam prejuízos por fechamento durante a pandemia

ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO - 29.3.2021

Preocupado com os prejuízos acumulados pelo fechamento da loja em razão da decretação da fase emergencial de combate à pandemia da covid-19 pelo governo de São Paulo, um comerciante da zona oeste da capital paulista teme pela falência.

Em relato ao R7, o lojista — que pediu para não ser identificado por receio de sofrer represálias —acrescentou que muitos outros conhecidos, também proprietários de estabelecimentos comerciais, têm sofrido pela paralisação das atividades e sem a oferta de uma contrapartida das autoridades para amenizar a queda brutal do faturamento.

"Não temos um socorro de ninguém, a ordem é 'fecha tudo e se vire, o problema não é nosso'. Muito injusto, muito ditadora essa ordem. Mas temos a única coisa que nos move: a fé em Deus. E essa vai está sempre viva em nossos corações. Acreditar que isso tudo vai passar e que sairemos vitoriosos, apesar do estrago já feito, com tantas vidas perdidas", lamentou o empresário paulistano.

Instalado há oito anos no mesmo ponto, um imóvel alugado em uma movimentada rua do bairro da Lapa, o comerciante revelou que tem trabalhado de forma clandestina para pagar as contas básicas, os fornecedores e os impostos. Esforços para manter o estabelecimento aberto e evitar a demissão dos quatro funcionários.

"Estou atendendo de casa. Caso tenhamos pedido, irei preparar e entregar no sistema drive-thru e delivery. Mas não é suficiente para pagar as despesas. Estou vendo a hora de mais um negócio fechado e quatro empregos jogados no lixo. Não temos um socorro de ninguém, a ordem é 'fecha tudo e se vire, o problema não é nosso'. Muito injusto", enfatizou o comerciante.

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