São Paulo No Capão Redondo, há um livro infanto-juvenil para cada 50 pessoas

No Capão Redondo, há um livro infanto-juvenil para cada 50 pessoas

Segundo o Mapa da Desigualdade, distrito da periferia da zona sul tem 0,02 livro infanto-juvenil para cada habitante. Distrito do centro conta com 11

Mapa da Desigualdade

Capão Redondo tem 0,02 livros por habitante

Capão Redondo tem 0,02 livros por habitante

Reprodução/Pexels

O Mapa da Desigualdade, elaborada pela Rede Nossa São Paulo, divulgado nesta quarta-feira (28), aponta que o distrito do Capão Redondo (periferia da zona sul da capital) conta com 0,02 livro infanto-juvenil disponibilizado em instituições públicas para cada habitante com idade entre 7 e 14 anos.

Isso significa que há um livro disponível para cada 50 jovens. Em comparação, o distrito da Consolação, na regial central da cidade, tem 11 exemplares infanto-juvenis para cada habitante da mesma faixa etária.

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Números semelhantes acontecem com os livros adultos. De acordo com o estudo, enquanto na República (centro) há 3,01 exemplares para cada habitante, o distrito de Pirituba (periferia da zona oeste) conta com 0,01 livro disponível em instituições públicas por habitante.

O mapa aborda 53 indicadores de diversas áreas da administração pública, usando fontes públicas e oficiais, sobre os 96 distritos paulistanos. Os dados mostram que 36 distritos (um terço do total) não tem nenhum livro infanto-juvenil em instituições públicas. Em um terço (37 distritos) também não há livro oferecido para os moradores adultos.

Segundo o gestor de projetos da Rede Nossa São Paulo, Américo Sampaio, os números mostram que “a desigualdade é tão grande que o simples fato de ter acesso a um livro é um privilégio na cidade de São Paulo”.

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O estudo da Rede Nossa São Paulo aponta ainda que em dois terços dos distritos da cidade de São Paulo não tem nenhum museu. Além disso, 54 distritos não contam com cinema, 53 não tem nenhum espaço de cultura ou centro cultural, em 52 distritos não existe sala de show e concerto e 42 não contam com teatros.

Outro lado

O R7 questionou, na noite da última segunda-feira (26), a Prefeitura de São Paulo sobre os dados. A gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB) foi questionada, por exemplo, sobre possíveis projetos para redução da desigualdade sobretudo no acesso aos livros e quais são os motivos da falta de instituições públicas em bairros das perifeiras paulistana.

A prefeitura respondeu nesta quarta-feria (28). Em nota, o órgão diz que mantém programas para estimular a leitura e facilitar o acesso de crianças aos livros. E destaca que a Secretaria da Educação tem o Programa Minha Biblioteca para promover o acesso e fomentar o hábito da leitura dos alunos da Rede Municipal de Ensino por meio da entrega de livros de literatura infantil/infanto-juvenil a cada estudante.

"Para cada um dos três ciclos do ensino fundamental - Ciclo de Alfabetização (1º ao 3º), Ciclo Interdisciplinar (4º ao 6º) e Ciclo Autoral (7º ao 9º) -, foram selecionados 70 títulos. Cada estudante receberá dois livros, que poderá trocar com seus colegas ao longo do ano letivo. Serão contempladas todas as 561 unidades educacionais de ensino fundamental - 547 EMEFs, 8 EMEFMs e 6 EMEBs - e todos os estudantes do ensino fundamental – aproximadamente 430.000, totalizando a compra de aproximadamente 860.000 livros divididos pelos 210 títulos selecionados", afirmou a prefeitura.

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