São Paulo Novo Ibirapuera terá aplicativo, mais restaurantes e 150 câmeras

Novo Ibirapuera terá aplicativo, mais restaurantes e 150 câmeras

Empresa responsável pela concessão deve assumir Ibirapuera e outros cinco parques a partir de 2020, com a promessa de investir R$ 180 milhões

  • São Paulo | Gabriel Croquer*, do R7

Gestão do parque deve ser repassada à empresa na metade de 2020

Gestão do parque deve ser repassada à empresa na metade de 2020

Gabriela Bilo / ESTADÃO CONTEÚDO

Com a assinatura da concessão de um lote de parques municipais de São Paulo, o Parque Ibirapuera será gerido por uma empresa privada. Isto significa que o parque terá parte de seus equipamentos culturais, infraestrutura esportiva e riqueza natural sob responsabilidade de uma empresa privada pelos próximos 35 anos. 

Os termos do edital foram vencidos pela Construcap, empresa de construção brasileira, que se comprometeu a investir R$ 180 milhões no local e em outros parques do lote: Jacintho Alberto, Jardim da Felicidade, Tenente Brigadeiro Faria Lima, Lageado e Eucaliptos.

Entre as melhorias previstas pela empresa responsável para o Ibirapuera está o investimento nas exposições culturais - de forma que o parque tenha programação em todos os dias-, a abertura para novos restaurantes e a integração de um sistema de segurança com a CGM (Guarda Civil Metropolitana), com a aquisição de cerca de 150 câmeras.

A concessão terá que seguir padrões do Plano Diretor do parque, que estabelece normas para manter a qualidade do serviço, o patrimônio histórico e natural. O documento foi elaborado depois de uma batalha na Justiça, que determinou a criação do documento por meio de audiências públicas, por não considerar que o processo anterior tinha transparência e compromisso com a preservação ambiental.

Leia mais: Justiça autoriza e empresa assume gestão do parque do Ibirapuera

Cultura e exposições

Samuel Lloyd, responsável pela área de concessão dos parques da Construcap, explicou o que é planejado para as atrações em relação à cultura. "Teremos uma restauração do Pacubra [Pavilhão das Culturas Brasileiras], que há muitos anos aguarda investimento público para receber o Museu das Culturas Brasileiras. É uma grande âncora deste projeto, porque está guardado há muito tempo e a população merece acesso a ele." 

Ele garantiu que um dos focos da empresa está no incentivo às atrações culturais do parque, através da restauração de outros locais como a Oca e o Planetário: "Queremos trazer um movimento constante de enventos com estes espaços restaurados e funcionando em todos os dias". 

Para isso, será criado um aplicativo para frequentadores, com todas as atrações, serviços e agenda do Ibirapuera. "A ideia é trazer uma programação intensa para o Ibirapuera. Hoje as pessoas quando vão ao parque não encontram em lugar nenhuma a programação. Você não tem um site, um aplicativo para saber o que está acontecendo na Oca, no Planetário", concluiu Lloyd.

Um serviço semelhante já foi criado, mas não faz atualizações para seus usuários desde o ano de 2017. Sobre o restauro da Marquise, que teve um de seus trechos interditados neste ano, a empresa afirma que estará junto a prefeitura para "fazer o que for possível" para recuperar a estrutura. 

A concessão não repassa todos os equipamentos culturais e educativos do parque, já que alguns continuarão sob responsabilidade da prefeitura. São eles: o Viveiro Manequinho Lopes, o MAM (Museu de Arte Moderna), a Fundação Bienal de São Paulo, o Museu Afro Brasil, o Pavilhão Japonês, o Monumento em Homenagem aos Pioneiros da Imigração Japonesa Falecidos e a UMAPAZ (Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz).

Comércio 

A empresa também promete o aumento da qualidade e da quantidade de serviços de alimentação no Ibirapuera. Segundo Samuel, o parque será aberto para novos restaurantes, com a seleção de diversos estabelecimentos e de "preço democrático", com o objetivo de tornar o local atrativo pelos serviços de alimentação. 

Em relação aos ambulantes que trabalham no parque, a construtora afirmou que estes "deverão permanecer atuando, estabelecendo um vínculo formal com a concessionária".

Tecnologia

A Construcap prevê um esquema de segurança renovado no local, com a aquisição de 250 câmeras para um centro de segurança integrado à CGM (Guarda Civil Metropolitana), que tem responsabilidade sobre a segurança do parque.

Além disso, o parque deve ter uma rede de wi-fi gratuita para os visitantes, em plataforma informativa que também terá como objetivo a entrega de conteúdo dos patrocinadores do empreendimento.  Dentro do aplicativo que será criado, o visitante poderá acessar a rede de internet para também reconhecer as árvores do parque através da leitura por QR Code. 

Próximos passos

A construtora espera ter lucro com a gestão do Ibirapuera e dos outros seis parques em médio prazo. "Nos próximos cinco anos devemos recuperar o investimento", afirma Samuel, que não detalhou o montante financeiro esperado pela empresa em cada ano. 

Na segunda quinzena de janeiro de 2020, a empresa já começa a transição para os parques Lajeado e Tenente Brigadeiro Faria Lima. A mudança de gestão para o Ibirapuera começa no sétimo mês a partir da assinatura do contrato. No 13° mês, será a vez dos parques Jacintho Alberto e Jardim Felicidade.

Os três primeiros anos da concessão concentrarão a maior quantia investida: R$ 105 milhões. A prefeitura estima que R$ 1,6 bilhão seja poupado dos cofres públicos pela troca de gestão. 

*Estagiário do R7, sob supervisão de Ana Vinhas

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