São Paulo "Os políticos ajudaram a puxar o gatilho que matou meu filho", diz mãe de universitário morto em SP

"Os políticos ajudaram a puxar o gatilho que matou meu filho", diz mãe de universitário morto em SP

Marisa Riello Deppman participou de manifestação que pede segurança e redução da maioridade penal

  • São Paulo | Vanessa Sulina, do R7

Para Marisa (com o microfone), " a lei tem de ser mudada e a sociedade está gritando por isso"

Para Marisa (com o microfone), " a lei tem de ser mudada e a sociedade está gritando por isso"

Eduardo Enomoto/R7

Em manifestação por segurança realizada na manhã deste sábado (13) no bairro do Belém, na zona leste da cidade, Marisa Riello Deppman, mãe de Victor Hugo Deppman, morto com um tiro na cabeça em assalto ocorrido na última terça-feira (9) em frente ao prédio onde morava, culpou também a demora na votação de uma PEC (Projeto de Emenda Constitucional) que pede a redução da maioridade penal pela morte do filho.

— Essa PEC já existe há dez anos. Eu sempre disse que os políticos que ajudaram a puxar o gatilho que matou o meu filho.

Hoje, três propostas que buscam a redução da maioridade penal aguardam, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), decisão da Mesa do Senado sobre tramitação em conjunto. Depois da comissão, elas seguem para o Plenário. Se um dos textos for aprovado em duas votações, será encaminhado à Câmara.

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Acompanhada do marido, de parentes, amigos e moradores do bairro do Belém, onde aconteceu o crime, Marisa participou da caminhada, que já estava organizada pela associação de moradores do bairro antes mesmo do crime acontecer. Há cerca de um mês, uma manifestação pediu aumento de policiamento na região. Para Marisa, o ato, após a morte do filho, se transformou em uma oportunidade de lutar por uma mudança na Constituição.

— Esse ato já estava organizado. Aproveitei essa oportunidade para fazer com que a sociedade ouça o clamor. A lei tem de ser mudada e a sociedade está gritando por isso. Eu espero que esse clamor e esse grito de hoje que acontece em São Paulo cheguem a Brasília. Todo dia que eu acordo de manhã eu já penso nisso. Eu vivo para isso.

Na última quinta-feira (11), o governador Geraldo Alckmin (PSDB), disse que o partido deve preparar um projeto com o objetivo de alterar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), tornando mais rígidas as punições a infratores com idade abaixo de 18 anos.

Segundo a mãe do universitário, Alckmin afirmou a ela que quer levar o projeto do partido adiante e que dará a ele o nome de Victor Hugo Deppman.

Ato

O protesto foi organizado pela Associação por um Belém Melhor. O grupo foi criado para pedir melhorias de segurança no bairro, com maior policiamento, e para pedir que o 81º DP também possa registrar flagrantes.

De acordo com um dos organizadores e também associado, o administrador Francisco Gugluerme, atualmente os flagrantes são registradas no 31º DP do Tatuapé.

— Isso faz com que as viaturas sejam deslocadas e com isso elas não conseguem circular no nosso bairro. Não é a primeira vez que fazemos uma reunião deste tipo. Há um mes atrás reunimos 500 pessoas na mesma luta e pretendemos fazer mais se não formos ouvidos.

A intenção é reunir 10 mil assinaturas em um abaixo assinado que a associação promove pela internet pra tentar agendar um encontro com Alckmin.

A manifestação começou por volta das 11h deste sábado e reuniu cerca de 200 pessoas. O grupo iniciou a caminhada no pátio da igreja São José do Belém e seguiu em direção ao condomínio onde Victor morava com a família.

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