Para 6 em cada 10 paulistanos não cumprir isolamento é desvantagem

Transporte público lotado, população em situação de rua e impactos na periferia foram apontados como agravantes na cidade em meio à pandemia

Não cumprir isolamento social é principal desvantagem em SP

Não cumprir isolamento social é principal desvantagem em SP

André Pera/Agência F8/Estadão Conteúdo

Seis em cada 10 paulistanos afirmam que o não cumprimento do isolamento social é a principal desvantagem da cidade de São Paulo no combate ao novo coronavírus. O dado foi divulgado na pesquisa "Viver em São Paulo: Especial Pandemia", realizada pela Rede Nossa São Paulo e divulgada nesta terça-feira (5). O levantamento ouviu 800 internautas das classes A, B e C da capital paulista.

Leia também: Governo de SP torna obrigatório o uso de máscaras contra coronavírus

Além disso, o transporte público lotado e a população em situação de rua também foram consideradas desvantagens da cidade para praticamente metade dos participantes (51% e 49%, respectivamente). Outra preocupação é o impacto do vírus nas periferias: para 81% dos entrevistados são os moradores que mais devem sofrer durante a crise.

A pesquisa apontou ainda que 57% dos entrevistados diz que tem percebido uma diminuição no número de pessoas em isolamento desde as primeiras medidas adotadas na cidade no dia 24 de março. Para 23% dos internautas, o distanciamento tem aumentado.

Leia mais: Praças de pedágio adotam máquinas de cartões para pagamento em SP

Segundo Patrícia Pavanelli, diretora do Ibope Inteligência, que realizou a pesquisa em parceria com a Rede Nossa São Paulo, pouco mais da metade (53%) afirma que sai de casa somente para compras essenciais, 19% para trabalhar e outros 19% não saem para nada ou quase nada.

Preocupações no isolamento

A principal preocupação do paulistano hoje é a saúde com seus familiares. "O senso de família se sobressai, depois vem a preocupação com a própria saúde e, por último, aparecem os aspectos econômicos como ser demitido, ficar sem renda e ficar sem clientes", afirma Patrícia Pavanelli.

Leia mais: HCor distribui 20 mil máscaras em três estações do metrô de SP

Em âmbito nacional, 49% dos entrevistados afirmam que temem uma piora na economia do país e 36% o aumento da desigualdade social. "No Brasil, a desigualdade está cobrando com vidas. A crise mostra com mais clareza que há uma desigualdade estrutural", afirma Jorge Abraão, coordenador da Rede Nossa São Paulo. "É o CEP que determina quem corre mais riscos no país."

O convívio com amigos e familiares, atividades de lazer e trabalho e atividades culturais foram os aspectos mais impactados entre as atividades do dia a dia. “Frequentar comércios, restaurantes e shoppings, encontrar pessoas sem restrição e poder trabalhar fora de casa são as quatro principais faltas dessas classes."

Vantagens de São Paulo

Por outro lado, a pesquisa revelou também os entrevistados afirmam que São Paulo tem a vantagem de contar com uma ampla rede pública de saúde e ter os melhores profissionais de saúde para o enfrentamento da doença.

Leia mais: Justiça derruba relaxamento do isolamento social no interior de SP

Segundo 58% dos internautas pesquisados, as ruas da cidade de São Paulo estão mais vazias durante o isolamento social, 52% percebem o ar da cidade mais limpo e 48% acham que a capital está menos barulhenta. As percepções das mudanças são mais fortes entre os internautas moradores do centro, zona oeste e zona sul. 

Questionados sobre os três principais itens que mais contribuem para diminuir os impactos da pandemia do coronavírus na vida das pessoas, os mais citados foram: mais investimentos no SUS (40%) e o isolamento total da população (37%). Logo em seguida aparecem a renda básica emergencial para todas as pessoas (32%) e aumentar a quantidade de testes do coronavírus (30%).

Leia mais: Fluxo em delegacias na pandemia gera divergência entre as polícias

Na avaliação de Abraão, a pesquisa permite dizer que as pessoas começam a entender a importância do SUS. Além disso, segundo ele, os paulistanos também modificaram a relação com a política e agentes públicos. "Em momentos pós-crise houve mudanças importantes de bem estar social", afirmou ao citar o contexto da Segunda Guerra Mundial. 

Trabalho e renda

A pesquisa revelou que 64% dos entrevistados declaram algum impacto da pandemia na renda pessoal. Desse total, 22% perderam completamente a renda desde o início do distanciamento social.

Entre quem tinha renda antes da pandemia, 55% tiveram redução total ou parcial na jornada de trabalho, dos quais 19% estão temporariamente sem trabalhar. A região da cidade com maior percentual de internautas que declaram queda na jornada de trabalho é a norte: 60%, sendo que 22% estão temporariamente sem trabalhar. Aqueles que foram demitidos por causa da pandemia somam 6%.

Leia também: Risco de morte de negros por covid-19 é 62% maior do que em brancos

A pesquisa também apontou que entre os que continuam com a jornada de trabalho, cerca de metade passou a trabalhar totalmente ou parcialmente de casa: 35% passaram a realizar todo o trabalho em casa e 19% está trabalhando parcialmente em casa.

Avaliação de agentes públicos

Em relação a avaliação dos agentes públicos, os internautas das classes A, B e C entrevistados responderam que consideram adequadas as medidas adotadas pelo Ministro da Saúde (71%), pelo governador de São Paulo (68%) e pelo Prefeito da capital paulista (68%).

Leia mais: Chega a 10 número de mortos em hospitais de campanha de SP

A pesquisa mostra também que parcela significativa não sabe opinar sobre as medidas adotadas pelos Vereadores e Deputados Estaduais para combater a pandemia: 39% e 34%, respectivamente. Já as medidas adotadas pelo Presidente da República são consideradas não adequadas por 57% dos respondentes.

Entre os internautas residentes na região Central da cidade este percentual chega a 80%. Sobre a troca do Ministro da Saúde feita recentemente, 30% dos respondentes apoiam a mudança.