São Paulo Para delegado do Deic, encontros em estacionamentos de shoppings parecem querer "bagunça"

Para delegado do Deic, encontros em estacionamentos de shoppings parecem querer "bagunça"

Wagner Giudice vê “fato isolado”, apesar de anúncio de novos encontros pela internet

Polícia não fala em arrastão e vê "caso isolado" ocorrido em Itaquera

Polícia não fala em arrastão e vê "caso isolado" ocorrido em Itaquera

Reprodução/Rede Record

O Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) pode ajudar nas investigações sobre encontro que reuniu cerca de 6.000 jovens no Shopping Metrô Itaquera, zona leste da capital, no último sábado (7). Um inquérito sobre o caso foi aberto do 65º Distrito Policial, responsável pela área, mas o Deic, através da divisão especializada em crimes cibernéticos, estuda como pode ajudar na identificação dos responsáveis pelo tumulto que assustou lojistas e frequentadores.

Em entrevista ao R7, o delegado Wagner Giudice, diretor do Deic, disse ter ainda poucas informações sobre o que teria acontecido de concreto no Shopping Metrô Itaquera. Duas pessoas foram detidas em flagrante por furto, mas há relatos de que lojistas tiveram produtos levados, antes de baixarem as portas por cerca de três horas. Já há pelo menos outros seis eventos semelhantes marcados para os próximos dias em outros shoppings da Grande SP, mas Giudice tem dúvidas sobre a tese de que seria um evento organizado com o intuito de cometer crimes.

— Na verdade até agora nem se sabe oficialmente o que foi subtraído. É um evento novo, de fato fomos acionados pela delegacia do bairro para que pudéssemos dar um suporte no que tange essa convocação pela internet. Então talvez tenhamos que usar as nossas expertises nos crimes eletrônicos para fazer algum tipo de suporte para notificação dessas pessoas. Mas eu até agora, sinceramente, não entendi a finalidade disso. Se é só para fazer bagunça, como parece ser o objetivo disso aí.

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Em uma página criada no Facebook para promover um novo “rolezinho”, como é chamado pelos frequentadores, o evento “Shopping Aricanduva lotadão”, marcado para este sábado (14) no estabelecimento na zona leste da cidade, o encontro é descrito como uma diversão para dar uma “tumultuada”, “uns beijos”, “conhecer novos amigos” e “tirar várias fotos”. Dos quase 52 mil convidados, 6.200 haviam confirmado presença até por volta das 16h40 de terça-feira (10).

Giudice descartou ter qualquer informação de que teria existido lá algum tipo de arrastão, ainda mais premeditado. Ele disse ainda que, no âmbito da polícia, não é possível impedir que encontros em shoppings ocorram, salvo quando declaradamente possuem caráter criminoso.

— A movimentação pacífica e ordeira não há o que se fazer, isso é autorizado constitucionalmente e é um direito do cidadão. O que a polícia não vai deixar acontecer são as manifestações com vandalismo e quebra-quebra. Essa é a nossa função.

A posição vai ao encontro do que disse a SSP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), por meio da sua assessoria de imprensa. De acordo com a secretaria, a segurança dentro de estabelecimentos privados é de responsabilidade do empreendimento, cabendo a eles acionarem a polícia, caso tenham conhecimento prévio de alguma movimentação suspeita, seja ela organizada pelas redes sociais ou não.

A SSP afirmou ainda não ter recebido, até o fim da tarde desta terça-feira, nenhum pedido por parte da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping) para um aumento da segurança nos arredores de shoppings. A posição do órgão reflete parte do pensamento do delegado do Deic. Para Giudice, o evento ocorrido em Itaquera tomou uma proporção “além da conta” até mesmo para quem organizou.

— Duvido que alguém soubesse que ia acontecer o que aconteceu. Acho que o negócio ficou maior do que se imaginou, até mesmo para quem estava convocando. Me parece que o objetivo não era fazer bagunça, não sei, posso estar enganado. Acho que era uma festa ou alguma coisa do gênero.

O delegado Luiz Antônio da Cruz, responsável do 65º DP pela investigação, foi procurado pela reportagem do R7, mas não foi localizado. O Deic se diz “à disposição”, tão logo receba detalhes da investigação que está a cargo da delegacia da região, para ajudar na possível identificação de pessoas que tenham cometido algum crime no último sábado no Shopping Metrô Itaquera.

— Se houver a necessidade. Temos que saber primeiro o que foi aquilo? Qual era o objetivo daquilo? Era um evento sozinho, se vai acontecer reiteradamente. Tenho cá minhas dúvidas se aquele pessoal vai se reunir de novo. Talvez esteja errado. Vamos ver como isso vai acontecer. A polícia sabendo como isso vai acontecer poderá se movimentar anteriormente, aí já debela esse tipo de coisa.

O Shopping Aricanduva já declarou, em nota, que está ciente do encontro marcado para o próximo sábado e que irá reforçar a segurança. De acordo com a assessoria da SSP, apenas o estabelecimento privado pode, se julgar necessário, impedir a realização de qualquer encontro em suas dependências.

Outros encontros já agendados são no Shopping União Osasco (próximo sábado), no Shopping Taboão da Serra (21 de dezembro), mais dois no Shopping Metrô Itaquera (dia 21 de dezembro e 11 de janeiro), e no Shopping Tatuapé (29 de dezembro).

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