São Paulo Pássaros ou tiros? O mistério do muro de vidro da USP

Pássaros ou tiros? O mistério do muro de vidro da USP

Trabalhadores encarregados de trocar painéis descartam hipóteses de colisão de pássaros ou pedras. Para eles, vidros quebrados são “atos de vandalismo”

Vidros da USP

Funcionários trabalham na conclusão do muro de vidro

Funcionários trabalham na conclusão do muro de vidro

Fabíola Perez/R7

Ao longo de quase dois quilômetros percorridos, a reportagem do R7 pode perceber pelo menos três amontados de painéis quebrados próximos ao muro de vidro construído entre a Universidade de São Paulo (USP) e a Marginal Pinheiros. “Não sabemos quem vai retirá-los daqui”, diz Leonardo Tadeu, um dos funcionários responsável pela instalação das peças. 

A primeira fase do projeto foi entregue pela Prefeitura de São Paulo no dia 4 de abril. Os painéis estão sendo instalados ao redor da raia olímpica da USP e substituirão um muro de concreto que já está sendo destruído. De acordo com a gestão Doria, o objetivo é revitalizar a região da Marginal Pinheiros e integrar a cidade universitária.

Após a terceira placa de vidro ser quebrada no intervalo de uma semana, uma série de hipóteses começou a ser levantada. Pássaros rasantes que ao voar colidem com o vidro, pedras que poderiam acertar o muro com a passagem de caminhões e a trepidação dos carros que estão a apenas seis metros de distância dos painéis. Até as capivaras que costumam ficar nos arredores da raia são suspeitas.

Para os funcionários que trabalham nos arredores da estrutura diariamente nenhuma dessas possiblidade se aproxima do que poderia ocorrer de fato. Eles acreditam que pessoas atiram pedras de barro contra o vidro durante a noite e outras chegam até a atirar com armas de fogo contra a estrutura.

Duas semanas após entrega, muro de vidro da USP amanhece quebrado

Alguns painéis de vidro estão com diversas marcas. “São pessoas que passam e atiram barro”, diz. “A gente já até se acostumou a chegar aqui e tudo estar destruído”, afirma. Embora a suspeita em relação aos pássaros tenha ganhado força, foram colocados diversos adesivos pretos com o desenho de aves para evitar que os animais trombem nos painéis de vidro transparente.

Para o técnico de meio ambiente que estava no local, Oscar Ribeiro, os adesivos colocados para sinalizar o vidro aos animais estão sendo eficientes. “Estamos fazendo o monitoramento há uma semana e meia. Aves maiores que circulam por aqui não voam tão rasante. Eles colidem, podem se machucar, mas não são a causa dos vidros quebrados”, diz ele.

Segurança frágil

A segurança também é considerada frágil. Quando a reportagem chegou ao local, por volta das 10h30, havia uma equipe da Guarda Central Metropolitana em frente aos paneis quebrados. Porém, minutos depois, as equipes deixaram as pistas da marginal. “A ronda só acontece do outro lado da raia. Não tem acesso de carro perto do muro. Para fazer isso, teria que ser uma moto”, afirma o servidor Leonardo Tadeu.

Muro de vidro da USP amanhece quebrado pela 3ª vez em 20 dias

Ainda segundo Tadeu, caminhões que chegavam com carregamentos de alumínio já foram roubados no período da noite durante o início das obras. “A segurança aqui só melhorou depois que quebraram os vidros.” Ele afirma que, quando a perícia chegou ao local para averiguar os vidros quebrados, chegou-se a falar sobre os tiros.

Vidro de muro da USP apareceu quebrado novamente

Vidro de muro da USP apareceu quebrado novamente

Felipe Rau / Estadão Conteúdo / 18.04.2018

O funcionário diz ainda que os vidros não poderiam ter quebrado em função da trepidação do asfalto e do impacto provocado pelos veículos porque, porque, segundo ele, os painéis são resistentes. Tadeu chega a jogar uma pequena pedra contra um dos painéis para fazer uma simulação para a reportagem. Nada acontece.

Prefeitura

A prefeitura informou, por meio de nota, que, à medida que estão sendo instalados os vidros que vão integrar o novo muro da USP, são colocados adesivos com pássaros, que impedem a ocorrência de acidentes com as aves que habitam a região. De acordo com o órgão, essa proteção já estaria prevista no projeto original.

Em relação aos danos causados aos vidros, a prefeitura informou que a USP registrou dois boletins de ocorrência e que a Polícia Civil está investigando o caso. Já para colaborar com a segurança do local, a prefeitura fará um convênio com a USP para que a Guarda Civil Metropolitana possa patrulhar a área.

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