São Paulo PCC lava dinheiro com mansões, carros e salão de beleza, diz polícia

PCC lava dinheiro com mansões, carros e salão de beleza, diz polícia

Imóveis e produtos de luxo eram comprados no nome da mulher, dos sogros e dos cunhados de Marcola, que foram alvo de megaoperação nesta quarta

  • São Paulo | Thiago Samora, Marcella Larocca e Daniela Salerno, da Record TV

Casas de luxo eram compradas no nome dos sogros de Marcola

Casas de luxo eram compradas no nome dos sogros de Marcola

Divulgação/Polícia Civil de SP

A família do chefe da maior facção criminosa do país foi alvo de uma operação da polícia que investiga lavagem de dinheiro. Segundo a polícia, a mulher, os sogros e cunhados do criminoso fazem parte do esquema para ocultar o dinheiro do tráfico. O núcleo de jornalismo investigativo da Record TV descobriu detalhes do esquema que envolve a negociação de uma mansão e o faturamento milionário de um pequeno salão de beleza.

Logo cedo, cerca de 50 policiais estiveram em dez endereços de parentes e amigos ligados a Marcola na capital paulista e em cidades da região metropolitana, onde moram a mulher e os filhos do criminoso. A operação apreendeu cartas, documentos e dinheiro, além de dois carros e uma moto avaliada em R$ 100.000.

Lavagem de dinheiro

Essa é a primeira vez que a polícia chega tão perto da família do chefe da maior organização criminosa do país. Os investigados são suspeitos de lavagem de dinheiro. O maior indício do crime é a vida de luxo que os parentes de Marcola ostentam. Isso não seria possível, segundo a denúncia, sem o financiamento ilícito da facção. Diversas transações financeiras irregulares foram identificadas pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) nos últimos três anos.

Investigação

A polícia de São Paulo dividiu a família em núcleos para investigá-la. O primeiro é do casal, composto por Marcola e a mulher dele, Cynthia Giglioli Herbas Camacho. O segundo núcleo é dos sogros de Marcola, constituído por Marivaldo da Silva Sobrinho e Maria do Carmo Giglioli da Silva, pais de Cynthia. O terceiro, é dos cunhados, a advogada, Camilla Giglioli da Silva e Christiano Giglioli da Silva, irmãos de Cynthia, e Francisca Alves da Silva, mulher do irmão de Marcola.

Casas de luxo

Foi a compra de uma casa em 2018, em um condomínio de luxo em Carapicuíba, na Grande São Paulo, o ponto de partida do trabalho do laboratório de dinheiro do departamento de inteligência da polícia civil.

O imóvel estava no nome de Ronaldo Kastropil, também investigado na operação. O empresário, além de ser dono de postos de combustíveis, é conhecido por participar de corridas de automobilismo.

A residência era avaliada em R$ 3 milhões em 2015. Dois anos depois, um contrato de aluguel foi assinado. Os locatários eram a mulher e o sogro de Marcola. No ano seguinte, a propriedade foi vendida aos sogros do traficante por um valor quase três vezes menor (R$ 1,1 milhão). A polícia descobriu que essa transação foi de fachada, porque não identificou entrada ou saída de dinheiro na conta dos envolvidos.

De acordo com as autoridades, negociações bem abaixo do valor de mercado seriam práticas comuns da família de Marcola para lavar o dinheiro do tráfico. A investigação constatou que os sogros do chefe da facção compraram pelo menos cinco casas dessa maneira. Parentes mais próximos mantinham também valores milionários em contas bancárias, incompatíveis com a renda que tinham.

Salão de beleza

Outro ponto da investigação é o salão de beleza da esposa de Marcola, o "Divas Hair Estética e Depilação", um local simples, na zona norte de São Paulo. O empreendimento foi aberto com capital social de apenas R$ 1.000, mas teria faturado, entre 2017 e 2019, cerca de R$ 1.800.00 . Nesse período, foram identificados mais de cem depósitos nas contas bancárias da mulher do criminoso.

Cynthia tem três filhos com Marcola. Durante a pandemia, quando as visitas foram suspensas nos presídios, ela acionou o Departamento Penitenciário Nacional. Disse que o marido estava deprimido. Conforme publicado pelo R7 em abril, Marcola teria pensado em cometer suicídio. O líder do PCC está detido na Penitenciária Federal de Brasília, onde cumpre mais de 300 anos de prisão. O mandado de busca e apreensão pedido pela polícia civil, e assinado por seis promotores, é mais um duro golpe contra o setor financeiro da facção.

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