Coronavírus

São Paulo Pessoas de áreas de menor IDH em SP são mais atingidas pela covid-19

Pessoas de áreas de menor IDH em SP são mais atingidas pela covid-19

Onde índice é mais baixo, 36,2% da população foi atingida. Nos locais mais privilegiados da cidade, número não passa de 30%

  • São Paulo | Do R7

Médico sanitarista aponta relação entre raça e classes sociais

Médico sanitarista aponta relação entre raça e classes sociais

Bruno Escolastico/Photopress/Estadão Conteúdo – 25.03.3021

A covid-19 já atingiu 36,2% das pessoas de São Paulo (SP) que vivem em áreas de baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), enquanto em locais onde o índice é alto 29,9% das pessoas se contaminaram, segundo o inquérito sorológico divulgado pela prefeitura paulistana em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (13). As populações de regiões de IDH em nível intermediário ficam entre os dois perfis, com prevalência de 33,7% do vírus.

A diferença de seis pontos percentuais entre as classes sociais em um mesmo município pode ser explicada a partir das necessidades da população, como avalia Gonzalo Vecina Neto, médico sanitarista e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

“Os pobres sofrem mais [com a covid-19] do que os remediados e ricos. Eles têm que sair nas ruas todos os dias para ‘buscar comida’, encontram o vírus e o vírus os mata”, afirma Vecina Neto.

Os dados de prevalência da covid-19 a partir da raça dos paulistanos possuem um padrão nos números equivalentes ao apresentado pelos dados de IDH.

Isto porque 37,6% da população preta e parda residente na cidade já se contaminou, enquanto 29,6% dos brancos contraíram o vírus. A diferença – muito parecida com a observada entre locais de alto e baixo índices de desenvolvimento humano – se explica também pelo recorte de classe.

À esquerda, números da fase 4 do inquérito, seguidos por dados do inquérito atual

À esquerda, números da fase 4 do inquérito, seguidos por dados do inquérito atual

Divulgação/Prefeitura de São Paulo

“A doença mata mais negros que brancos porque de modo geral os negros são os mais pobres. No caso dessa doença, o que mata é a pobreza. É um fato verificado em outras grandes cidades do mundo”, afirma o também fundador da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

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