Tragédia no baile da 17
São Paulo PM bloqueia acesso a Paraisópolis (SP), 6 dias após mortes de jovens 

PM bloqueia acesso a Paraisópolis (SP), 6 dias após mortes de jovens 

Moradores alegam que agentes da corporação não permitem que pessoas saiam da comunidade; no último domingo, 9 jovens morreram

Moradores de Paraisópolis protestam contra ação policial em baile funk

Moradores de Paraisópolis protestam contra ação policial em baile funk

RONALDO SILVA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Policiais militares bloqueiam entradas da comunidade Paraisópolis. na zona sul de São Paulo, na noite desta sexta-feira (6). Segundo moradores, os agentes impedem o acesso de pessoas à favela, que na madrugada do último domingo (1º) foi cenário de uma ação da PM que deixou nove jovens mortos após tumulto durante um baile funk. 

As lideranças comunitárias haviam marcado uma reunião para debater a atuação frente ao massacre do último domingo. Há relatos de dezenas de viaturas da PM nas avenidas Giovanni Gronchi e Hebe Camargo. Um vídeo publicado nas redes sociais mostra um helicóptero da PM sobrevando a comunidade. 

Leia também: Quem são os 9 jovens que morreram no baile funk em Paraisópolis

A PM confirmou que há policiamento no local, mas não deu nenhuma informação ou detalhe de como está a ocupação no entorno. A corporação também diz que nenhum tumulto foi registrado. 

Mais cedo, em uma coletiva de imprensa, o governador João Doria (PSDB) afirmou que, neste fim de semana, a PM iria realizar ações de acompanhamento a bailes funk em Paraisópolis e em outras comunidades de São Paulo. 

Um dia depois da tragédia, o governador chegou a dizer que a "letalidade não foi provocada pela Polícia Militar, e, sim, por bandidos que invadiram a área onde estava acontecendo o baile funk". E defendeu a ação da PM, afirmando que os agentes envolvindos não usaram arma de fogo e nem invadiram a área onde o baile funk estava ocorrendo. 

Nesta quinta-feira, o governador mudou o tom e informou que vai “revisar protocolos, treinamentos e comandos para que nenhum policial militar aja desta maneira”.

O governador disse ainda que ficou“muito chocado” ao ver as imagens registradas em outubro deste ano, também em Paraisópolis, que mostram diversos jovens — inclusive um que anda com auxílio de muletas — sendo agredidos por um PM que usa um bastão. Após a divulgação das imagens, o policial foi afastado do patrulhamento de rua.

"Como governador do Estado de São Paulo, tendo sido eleito governardor, não aceito que esse tipo de procedimento exista e não mais vai existir. Ou, pelo menos, faremos de tudo para que isso não aconteça", afirmou Doria.

Nesta sexta-feira, em comunicado, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos), condenou a ação da Polícia Militar que culminou nas mortes e pediu que o Brasil reformule os seus protocolos de segurança.

Vídeo gravado por morador mostra helicótero da PM sobrevoando Paraisópolis nesta sexta-feira (6)