São Paulo PM que apontou arma a colega tem problemas psicológicos, diz pai

PM que apontou arma a colega tem problemas psicológicos, diz pai

Família alega que policial avisou o comando que não estava em condições para trabalhar nas ruas. Ele foi preso após ameaça no centro de SP

O pai do policial preso após apontar uma arma a um colega em São Paulo revelou que o filho fazia tratamento para problemas psicológicos. O PM, segundo o pai, avisou o comando que não estava em condições para trabalhar nas ruas.

PM aponta arma para colega na Santa Ifigênia, Centro de São Paulo

PM aponta arma para colega na Santa Ifigênia, Centro de São Paulo

Arquivo pessoal

A cena do policial com a arma voltada ao rosto do colega no centro da cidade se espalhou pela internet. O desentendimento foi acompanhado por uma multidão. O pai do PM, que prefere não se identificar, conta que ainda não acredita na atitude. "Meu filho nunca faria aquilo. Não imaginei que o meu filho pudesse chegar a isso."

Nas imagens, o soldado Felipe Nascimento aparece agitado, apontando a arma para o rosto do colega, o cabo Márcio Simão de Oliveira Matias. Márcio tenta, mas não consegue desarmar o agressor. A discussão aconteceu há duas semanas. Felipe está detido no presídio militar Romão Gomes.

O motivo da briga seria um atraso na troca do turno do almoço. "Ele estava voltando do almoço e foi parado por populares por conta de um casal que estava passando mal. Ele fez o atendimento a esse casal e logo retornou pra base, onde ele deveria render o seu superior para sair de almoço", conta o advogado de Felipe, Fabrício Bennaton.

"Quando ele foi tentar explicar que não tinha atrasado de propósito e a explicação dele não foi aceita, então ele deve ter perdido a cabeça. Acho que ele não parou pra pensar. Não conseguiu parar pra contar até dez e tomou aquela atitude impensada", conclui o defensor.

O pai do policial disse que nos últimos meses o filho estava muito estressado e passando por problemas financeiros. "É muito excesso de trabalho muita coisa pra fazer, muita cobrança em cima do serviço que ele faz”, afirma o pai do soldado. "Uma semana antes de estar marcado pra ele sair de férias, ele chegou lá e disse que não estava em condições de trabalhar e pediu para adiantar as férias dele, porque se ele fosse trabalhar poderia acontecer alguma coisa de ruim."

Segundo a família, o soldado chegou a alertar a chefia dele que estava com problemas psicológicos. O policial faz tratamento no Naps, o núcleo de atenção psicossocial do governo. Mesmo assim, o soldado foi colocado nas ruas, armado, para trabalhar.

"Eu acho que alguém deveria ter dado uma atenção pra ele e orientado de alguma forma, afastado ele, né? Colocado em outra função, que não tivesse que tratar com o público, principalmente. E não andar armado, né? Eles poderiam ter desarmado ele e colocado numa outra função administrativa", diz o pai.

O advogado de Felipe já entrou com pedido de habeas corpus, mas foi negado.

O ex-ouvidor da polícia de São Paulo Benedito Mariano conta que, em dois anos, 42 mil policiais passaram por consulta de saúde mental no estado. "Se ele estava em tratamento de saúde mental e pediu o afastamento e não foi feito, há uma responsabilidade institucional do porquê alguém em tratamento está em atividade de rua. Poderia ter um resultado trágico", afirma Mariano.

A Polícia Militar informou que o soldado Felipe Nascimento teve a prisão temporária revertida em preventiva e que um inquérito vai investigar a conduta dele no caso.

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