PMs que pisaram em mulher em SP responderão a inquérito criminal

Caso ocorreu em 30 de maio em Parelheiros, na zona sul de SP. Inquérito será conduzidos pela Justiça que julgará o procedimento de PMs

PMs pisam e arrastam mulher na zona sul de SP

PMs pisam e arrastam mulher na zona sul de SP

Reprodução / Record TV

Os policiais militares afastados após pisarem e arrastarem uma mulher durante uma abordagem no bairro de Parelheiros, no extremo sul de São Paulo, devem responder a inquérito criminal. A informação foi confirmada pelo governador de São Paulo, João Doria, nesta segunda-feira (13), durante coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes.

O caso ocorreu em 30 de maio deste ano durante uma abordagem policial realizada após uma reclamação por som alto nas imediações de um bar.

"O governo não tolera comportamento de violência pela Polícia Civil e Militar. Assisti estupefato, liguei para o General Campos e Coronel Camilo. Solicitei que os dois fossem afastados, e eles já estavam", afirmou Doria.

"Eles vão responder através de inquérito criminal conduzido pela Justiça que julgará o procedimento errado e condenável. Respeito os direitos humanos e entendo que a polícia deve agir com firmeza e sem excessos", acrescentou o governador.

O caso

A Polícia Militar afirma que foi acionada para ir até um bar na rua Forte do Ladário, em Parelheiros, que estaria aberto e descumprindo o decreto que impôs o estado em quarentena para conter o avanço do coronavírus.

No local, eles encontraram o bar aberto com quatro clientes consumindo bebida alcoólica. De acordo com relato no boletim de ocorrência, um homem tentou fugir com a chegada dos policiais e foi abordados pelos agentes.

No depoimento, o policial conta que o rapaz se recusou a colocar a mão para trás e o xingou. Segundo os agentes, eles fizeram novamente o cerco quando um dos policiais foi empurrado pelo homem, que tentou correr, mas foi contido e segurado, sendo necessário o uso de força, já que ele se recusou a ser algemado.

Ainda segundo o boletim de ocorrência, os policiais sentiram que estavam sendo golpeados quando viram uma senhora utilizando uma barra de ferro para agredi-los, acompanhada de outros dois rapazes.

Os agentes teriam conseguido tomar a barra de ferro da mulher e tentado conter os outros dois homens que, supostamente os agrediam. No depoimento, os agentes dizem que durante toda a confusão, a mulher e os outros moradores os xingavam e não obedeciam às ordens de se afastarem.

Foi solicitado reforço enquanto eles tentavam conter os dois rapazes quando a mulher retornou com um rodo e, segundo depoimento, partiu para cima dos agentes. Um dos policiais então deu uma rasteira na mulher, que caiu. Ela ficou imobilizada no chão e algemada, enquanto os agentes ainda tentavam controlar outros moradores que apareceram.

As viaturas de apoio chegaram e três homens correram. Apenas um dos moradores que lutaram com os policiais foi detido.

Segundo os agentes em depoimento, a mulher se recusou a ser atendida pelo mesmo médico que atendeu aos policiais. Ela foi encaminhada ao Hospital Geral do Grajaú, onde foi detectada fratura na perna.

Os agentes registraram o caso como desacato, desobediência, resistência e lesão corporal pelo 101° DP do Jardim das Imbuias.

Vídeos da agressão

Durante a abordagem, alguns moradores gravaram com celular a ação dos policiais. Em um dos vídeos, o policial aponta a arma para um rapaz que tira a camisa para mostrar que estava desarmado, enquanto um outro se aproxima dizendo que está filmando.

O segundo mostra um dos agentes, com a mulher já imobilizada no chão da rua, pisando em seu pescoço após já ter fraturado a perna com a rasteira que o agente aplicou. Ele chega a subir depositando todo o peso do corpo no pescoço da mulher caída. Ao final, o policial ainda arrasta a mulher imobilizada pela rua.