Tragédia no baile da 17
São Paulo Polícia espera laudos para definir apuração de mortes em Paraisópolis

Polícia espera laudos para definir apuração de mortes em Paraisópolis

Ocorrência foi registrada no 89ºDP, mas a polícia quer saber se mortes foram em decorrência da ação policial. Se confirmado, caso vai para DHPP

Tragédia em Paraisópolis

Se mortes forem em decorrência da ação da PM, caso vai para o DHPP

Se mortes forem em decorrência da ação da PM, caso vai para o DHPP

RONALDO SILVA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Os depoimentos dos policiais militares e testemunhas do tumulto após ação da PM em baile funk de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, estão temporariamente suspensos. A polícia aguarda os laudos do IML (Instituto Médico Legal) para saber a causa das nove mortes. As informações são da Record TV.

Se as vítimas morreram por pisoteamento, como informado inicialmente, o caso será investigado pelo 89º DP (Portal do Morumbi), onde a ocorrência foi registrada. Mas se as mortes foram em decorrência da ação da polícia, a apuração será feita pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).

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Dos 38 PMs que participaram da ação na comunidade no domingo (1º), 6 foram ouvidos na mesma data e tiveram as armas apreendidas para exame residuográfico. A expectativa era de que novos depoimentos fossem realizados nesta segunda-feira (2), mas enquanto a situação está indefinida, a investigação sobre as mortes não avança.

Vídeos gravados por moradores com cenas de agressão da PM durante a confusão também serão apurados. Segundo a polícia, os corpos das vítimas apresentavam hematomas, mas não foi verificado ferimento à bala. A PM diz que nenhum tiro foi disparado.

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A tragédia deixou nove mortos:

- Marcos Paulo Oliveira dos Santos, 16 anos
- Bruno Gabriel dos Santos, 22 anos
- Eduardo Silva, 21 anos
- Mateus dos Santos Costa, 23 anos
- Denys Henrique Quirino da Silva, 16 anos
- Denis Guilherme dos Santos Franco, 16 anos
- Luara Victoria de Oliveira, 18 anos
- Gustavo Cruz Xavier, 14 anos
- Gabriel Rogério de Moraes, 20 anos

Os corpos foram levados para o IML Central e Sul e são liberados com a presença de parentes das vítimas. Ao menos quatro jovens são velados nesta segunda-feira (2).  

Ação da PM

Segundo a versão oficial, policiais militares perseguiam dois suspeitos em uma motocicleta quando entraram no local onde ocorria a festa, com cerca de 5 mil pessoas. Havia seis motocicletas da PM estacionadas na altura da Avenida Hebe Camargo, na zona sul, para reforçar o patrulhamento da região por causa do baile funk.

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Por volta das cinco horas da manhã, passou pelo local uma outra moto com dois suspeitos, que dispararam contra os agentes de segurança e fugiram em direção a Paraisópolis. Os policiais, então, perseguiram a dupla, de acordo com o registro policial.

Ao chegar à comunidade, os policiais afirmam que teve início o tumulto e os suspeitos se esconderam na multidão. Isso causou pânico e fez com que participantes da festa tropeçassem e se machucassem gravemente. Entre os noves mortos, estão três adolescentes e uma mulher.

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O ouvidor das Polícias de São Paulo, Benedito Mariano, afirmou na noite deste domingo (1º) que pediu para a Corregedoria da Polícia Militar assumir a investigação das 9 mortes. O ouvidor também vai solicitar os laudos de necropsia para verificar a causa das mortes.