São Paulo Policiais civis são presos suspeitos de tentativa de extorsão em SP

Policiais civis são presos suspeitos de tentativa de extorsão em SP

Investigadores da Polícia Civil são suspeitos de pedirem ilegalmente R$ 650 mil a empresário de Mogi das Cruzes, na região metropolitana de SP

  • São Paulo | Do R7, com informações da Record TV

Policiais civis na porta da casa de empresário

Policiais civis na porta da casa de empresário

Reprodução/Record TV

Três investigadores da Polícia Civil foram presos nesta quarta-feira (14), suspeitos de tentar extorquir R$ 650 mil de um empresário de Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo. O caso havia sido denunciado pelo Núcleo de Jornalismo Investigativo da Record TV em 5 de outubro.

Vítima da tentativa de extorsão havia reconhecido os policiais durante as investigações da Corregedoria da Polícia Civil. O órgão, então, pediu a prisão temporária dos suspeitos, que foi decretada pela Justiça nesta quarta-feira.

Além dos três investigadores, seguem sendo investigados o escrivão da delegacia onde os policiais atuam e um possível informante, que já foi identificado e deve ser chamado para prestar depoimento.

A equipe de reportagem da Record TV não conseguiu contato com os policiais investigados. Eles prestaram depoimento para Polícia Civil e seguiram para o presídio para policiais civis. Os três devem responder pelos crimes de concussão, que é quando um funcionário público exige vantagem indevida utilizando da sua função, e a pena pode chegar a oito anos.

Entenda o caso

De acordo com as apurações, a história começou no último dia 24 de agosto, quando investigadores da Polícia Civil foram até uma clínica onde o empresário estava atrás de uma pessoa identificada como Alex. O empresário disse que não conhecia essa pessoa e rapidamente apresentou seus documentos.

No entanto, mesmo sem que o empresário tivesse qualquer relação com a investigação dos policiais civis, os investigadores disseram que precisariam apurar sobre ele. Os policiais investigavam crimes envolvendo cartões de crédito.

Sabendo que o empresário não era alvo das investigações, o colocaram na viatura e foram até a casa dele. Chegando no local, um dos investigadores pulou o muro da residência e dizeram diversas buscas na casa.

"Fizeram todo o tipo de revista na minha casa, não acharam nada. Começaram a ligar para a minha gerente, perguntar o limite de transferência da minha conta", lembra o empresário. "Pegaram a minha carteira. Eu tinha R$ 4.800 em dinheiro no bolso, que era justamente pra eu pagar o aluguel da minha clínica. Eles pegaram os meus cartões, tem meu nome, minha agência, tem conta".

Com os dados do empresário em mãos, os policiais teriam iniciado a tentativa de liberar valroes para transferências bancárias. "Começaram a perguntar quanto eu conseguiria de empréstimo, qual o valor de transferência", diz.

Após fazer as buscas na casa do empresário por quase duas horas, o colocaram novamente na viatura e o conduziram para a delegacia da Polícia Civil. No caminho, pararam em um posto de combustível e teriam enchido o tanque da viatura com dinheiro da vítima.

Já na delegacia, o empresário entrou em contato com seu advogado e disse o que estava acontecendo. Quando chegou no local, o defensor, mesmo sabendo que o empresário não havia cometido nenhuma ilegalidade, aceitou pagar R$ 31 mil para liberar o cliente.

Depois disso, passou a gravar as conversas com os policiais civis, além de ter acionado a Corregedoria da Polícia Civil, Ministério Público e entrado com pedido de habeas corpus provisória no Justiça. Tudo sem que os investigadores soubessem.

Nos dias seguintes, então, o empresário, a esposa dele e o advogado passaram a registrar as tentativas de extorsão e os policiais, sem saber que estavam sendo gravados, prosseguiam com as chantagens.

Após tomarem conhecimento que a corregedoria tinha conhecimento dos fatos e estava investigando, os policiais passaram a adotar outra postura e, inclusive, oferecendo dinheiro para o empresário não levar a denúncia adiante.

Quando viram que o empresário não venderia o silêncio, passaram a ameaçar. Carros estranhos e com pessoas com identificação da Polícia Civil passaram a circular em frente à casa da vítima. "Hoje eu tenho medo de sofrer um atentado, de sofrer uma emboscada deles mesmo", diz o empresário.

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