Poluição do ar matará 43 pessoas por dia em São Paulo, estima pesquisa da USP

Problema ainda provocará internação de um milhão e gasto público de mais de R$ 1,5 bilhão

Poluição na zona oeste da cidade de SP,  na quinta-feira (7). Estimativa prevê que ao menos 25% das mortes ocorram na capital
Poluição na zona oeste da cidade de SP, na quinta-feira (7). Estimativa prevê que ao menos 25% das mortes ocorram na capital Marcos Bezerra/07.08.2014/Futura Press/Estadão Conteúdo

A poluição atmosférica vai matar até 256 mil pessoas nos próximos 16 anos no Estado, ou seja, uma média de quase 44 pessoas por dia. Nesse período, a concentração de material particulado no ar ainda provocará a internação de um milhão de pessoas, e um gasto público estimado em mais de R$ 1,5 bilhão, de acordo com projeção inédita do Instituto Saúde e Sustentabilidade, realizada por pesquisadores da USP. A estimativa prevê que ao menos 25% das mortes, ou 59 mil, ocorram na capital paulista.

Os resultados indicam que, no atual cenário, a poluição pode matar até seis vezes mais do que a aids ou três vezes mais do que acidentes de trânsito e câncer de mama. A população de risco, ou seja, as pessoas que já sofrem com doenças circulatórias, respiratórias e do coração, serão as mais afetadas, assim como crianças com menos de 5 anos que têm infecção nas vias aéreas ou pneumonia.

Entre as causas mais prováveis de mortes provocadas pela poluição, o câncer poderá ser o responsável por quase 30 mil casos até 2030 em todos os municípios de São Paulo. Asma, bronquite e outras doenças respiratórias extremamente agravadas pela poluição podem representar outros 93 mil óbitos, já contando a estimativa de crianças atingidas no período.

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Entre os mais afetados estão as crianças com menos de cinco anos que têm infecção nas vias aéreas ou pneumonia
Entre os mais afetados estão as crianças com menos de cinco anos que têm infecção nas vias aéreas ou pneumonia Evelson de Freitas/10.09.2004/Estadão Conteúdo

Doutora em Patologia pela Faculdade de Medicina da USP e uma das autoras da pesquisa, Evangelina Vormittag afirma que a magnitude dos resultados obtidos pela projeção, que tem como base dados de 2011, comprova a necessidade de o poder público implementar medidas mais rigorosas para o controle da poluição do ar.

Nessa lista estão formas alternativas de energia, incentivo ao transporte não poluente, como bicicleta e ônibus elétrico, redução do número de carros em circulação e obrigatoriedade de veículos a diesel utilizarem filtros em seus escapamentos. O programa de instalação de faixas exclusivas de ônibus e de ciclovias na capital, desenvolvido pelo prefeito Fernando Haddad (PT), é indicado como bom exemplo, ainda que os resultados para a saúde pública não estejam mensurados.