Prefeitura anuncia baile funk, mas Covas não se posiciona sobre mortes

Quatro dias após ação da PM que terminou com morte de nove jovens em Paraisópolis, prefeito de São Paulo ainda não comentou sobre tragédia

João Doria publicou vídeo com Bruno Covas nesta quarta-feira (4)

João Doria publicou vídeo com Bruno Covas nesta quarta-feira (4)

Reprodução/Twitter

Quatro dias depois de nove jovens morrerem supostamente pisoteados durante uma ação da Polícia Militar na favela de Paraisópolis, na zona sul, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, segue sem comentar a tragédia.

No entanto, na última terça (3), a Prefeitura anunciou as primeiras edições do projeto Funk da Hora, que terão início na Cidade Tiradentes, zona leste da cidade, com shows de Tati Quebra Barraco, MC Xuxu, MC Deize Tigrona, MC Deyzerre, Rafa PL e Black Meeting, entre outros, nos dias 14 e 15 de dezembro. 

Segundo o órgão, o projeto “tem como objetivo a valorização da cultura do Funk, sua descriminalização. Bem como fornecer a infraestrutura adequada para que os eventos ocorram em segurança”.

Desde a madrugada do último domingo (1º), quando aconteceram as mortes, o prefeito não usou o Facebook e o Twitter. Já no Instagram, além de publicações nos stories (ferramenta que disponibiliza postagens por 24 horas), Covas compartilhou três fotos e um vídeo — nenhum sobre Paraisópolis.

O prefeito também apareceu em uma publicação do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), na tarde desta quarta-feira (4). No vídeo de 49 segundos, o governador diz que recebeu uma visita de Covas, que apresenta um "sorrisão bonito" durante o tratamento da doença.

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Covas passa o vídeo apenas sorrindo e, no final, se limita em agredecer seu correligionário e dizer que "continua nas tratativas importantes que tem, e essa integração grande entre prefeitura e Estado de São Paulo para poder trabalhar a favor da população".

Possíveis responsabilidades da gestão municipal às mortes que acontecem em Paraisópolis também são apontadas pela Defenda PM (Associação dos Oficiais Militares do Estado de São Paulo em Defesa da Polícia Militar). Segundo a entidade, a prefeitura falha ao não fiscalizar e organizar os eventos que acontecem todos finais de semana em diversos bairros sobretudo das periferias.

Distrito possui poucos equipamentos de cultura

Além da falta de promoção de bailes funk na cidade, estudo da Rede Nossa São Paulo, divulgado no mês passado, apontou que a Vila Andrade, distrito onde fica a favela de Paraisópolis, está entre os piores nos números de equipamentos públicos de cultura e esporte, centros, casas e espaços culturais diversos, teatros, museus, entre outros.

De acordo com o Mapa da Desigualdade, a Vila Andrade possui 0,65 equipamentos públicos de cultura para cada 100 mil habitantes — um dos piores números —, enquanto a média da cidade é de quatro equipamentos para cada 100 mil.

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No distrito, são 0,07 teatros para cada dez mil habitantes — média é de 0,4. O local também deixa a desejar com equipamentos públicos de esporte: se a capital oferece 0,3 destes para cada dez mil habitantes, o distrito possui 0,065.

O panorama da Vila Andrade é ainda pior nos quesitos "Museus" e "Centros culturais e casas e espaços de cultura", ambos zerados.

Enquanto vice-prefeito, Covas combatia bailes funk na zona leste

Então vice-prefeito, Covas teve atuação direta em operação de combate a baile funk

Então vice-prefeito, Covas teve atuação direta em operação de combate a baile funk

Divulgação/Prefeitura de São Paulo

Em 2017, durante a gestão de João Doria na Prefeitura de São Paulo, o então vice-prefeito Bruno Covas atuou diretamente na Operação Sono Tranquilo, que combatia bailes funk na Cidade Tiradentes, distrito da zona leste da capital, mesmo local onde agora foi anunciada a primeira edição do projeto Funk da Hora.

À época, em abril daquele ano, Covas afirmou que a operação teve início no bairro da zona leste pois haviam sido mapeados 50 'pancadões' no local.

"O Oziel [de Souza, então secretário de Segurança Urbana] envolvendo todas essas instituições conseguiu erradicar os pancadões na Cidade Tiradentes e é isso que nós vamos fazer na cidade como um todo", afirmou o vice-prefeito durante a operação.