Prefeitura de SP suspende volta de atividades de reforço em setembro

Inquérito mostrou que 64% das crianças com covid-19 são assintomáticas e que 25,9% ficaram em casa com pessoas acima de 60 anos

Pesquisa investigou características de crianças com covid-19 em SP

Pesquisa investigou características de crianças com covid-19 em SP

ROBSON MAFRA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

A Prefeitura de São Paulo suspendeu a volta de atividades de reforço em setembro. A decisão foi tomada depois que o órgão realizou um inquérito sorológico com crianças matriculadas na secretaria municipal de educação, entre 4 e 14 anos. Segundo a gestão Covas, a medida vale para escolas públicas e particulares da capital. 

O estudo revelou que 64,4% das crianças diagnosticadas com coronavírus são assintomáticas. As entrevistas da primeira fase do inquérito foram realizadas no período de 6 de agosto a 10 de agosto desse ano e divulgadas nesta terça-feira (18) pela administração municipal. 

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De acordo com o levantamento, a prevalência geral da covid-19 nos escolares foi de 16,1% em mais de um milhão de alunos. "É um número muito representativo", afirmou Edson Aparecido, secretário municipal de saúde. Nos escolares de 4 a 5 anos, a prevalência foi de 16,5%, na faixa de 6 a 10 anos, 16,2% e entre os escolares de 11 a 14 anos, 15,4%. "É muito pequena a diferença de prevalência os escolares quando comparados os três estratos dos alunos", disse o secretário.

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A pesquisa detectou que 64,4% dos alunos são assintomáticos. "O ambiente escolar e os alunos podem ser um fator de disseminação muito grande, vai para a família e da família para a comunidade", afirmou Aparecido. Em relação à prevalência segundo raça e cor, o estudo demonstra que a covid-19 é mais presente entre crianças pretas e pardas (17,8%) do que em crianças brancas (13,7%). Isso significa quase 30% a mais de jovens pretos e pardos com a doença.

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O estudo apontou ainda que 25,9% dos escolares da rede pública permaneceram em domicílios com moradores de 60 ou mais anos. "A paralisação das aulas se mostrou correta, as famílias aderiram ao distanciamento protegendo as crianças em suas casas e evitando a contaminação comunitária", disse o secretário. A pesquisa foi realizada com 6 mil alunos por fase, duas mil crianças de 4 a 6 anos, mais dois mil estaduantes de 6 a 10 anos e, por fim, mais duas mil pessoas de 11 a 14 anos. 

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Segundo o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, o retorno às aulas nesse momento seria temerário. "É muito mais complicado manter o distanciamento social dentro da sala de aula. Além disso, a pesquisa mostra que 2/3 das crianças foram assintomáticas. Um número maior do que mostra o inquérito da população como um todo", disse. "Na cidade de São Paulo não haverá o retorno das atividades de reforço presenciais, como o Estado autorizou, em função deste resultado do inquérito sorológico", afirmou Covas.

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"Determinei que as crianças continuem a aprender dentro de suas casas. Ainda nesta semana o secretário Bruno Caetano deve anunciar medidas para atender essas crianças para que possam ter conteúdo pedagógico no momento em que mantemos a quarenta em São Paulo", disse Covas. 

O resultado do inquérito mostra a decisão acertada de quando se suspendeu os estudantes e de tudo aquilo que o sistema mobiliza, como transporte e outros setores. O prefeito lembrou ainda que a decisão vale para toda a área da educação na cidade de São Paulo.