Coronavírus

São Paulo Primeira vítima fatal da covid-19 por falta de UTI em SP tinha 22 anos

Primeira vítima fatal da covid-19 por falta de UTI em SP tinha 22 anos

Obeso, rapaz estava no pronto-atendimento de São Mateus, na zona leste, e não resistiu a 20 minutos de liberação de uma vaga

  • São Paulo | Daniela Salerno, da Record TV

Hospitais de São Paulo estão abarrotados de pacientes com covid-19 na UTI

Hospitais de São Paulo estão abarrotados de pacientes com covid-19 na UTI

André Pera/Pera Photo Press/Estadão Conteúdo - 17.03.2021

O primeiro paciente com covid-19 que morreu, na cidade de São Paulo, por causa da falta de um leito de UTI tinha 22 anos de idade, era obeso e sucumbiu à doença 19 minutos antes de surgir uma vaga de cuidados intensivos em um hospital da zona sul.

É o que mostra o relatório médico, obtido pelo R7 e que detalha o esforço das equipes de saúde do município para manter o rapaz vivo. A prefeitura reforçou que os profissionais de saúde cumpriram todos os protocolos médicos possíveis para salvar o paciente.

O jovem deu entrada no pronto-atendimento de São Mateus II, na zona leste da capital, às 19h03 da última quinta-feira (11) com queixa de falta de ar e sensação de sufocamento (dispneia) há 7 dias. Também apresentou teste positivo para covid-19, com data de dois dias antes, dia 9/3/2021.

Prontamente atendido pelos funcionários do posto de saúde, o paciente permaneceu internado em observação, com máscara de oxigênio e outros recursos usados para quem tem covid-19.

Na sexta-feira (12), a equipe do posto de saúde comunicou o Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde) e pediu um leito de internação, uma vez que o rapaz não melhorava e os médicos previam complicações de saúde.

Ainda sem retorno, o posto de saúde detectou a piora do quadro respiratório às 16h do sábado (13). Começou uma busca por respiradores mecânicos em outros postos de saúde, já que não havia no local. Neste momento, também foi solicitada urgência ao Cross.

O ventilador mecânico chegou 15 minutos depois, vindo de outra unidade de saúde. Mesmo com o acessório e sem retorno do Cross, os médicos decidiram, com aprovação do pai e da própria vítima, fazer uma intubação orotraqueal.

Às 16h20, o jovem foi para a sala de urgência, onde estava sedado e intubado. Em seguida, houve uma parada cardiorrespiratória e os médicos e enfermeiros começaram manobras de ressuscitação conforme manda o protocolo – sem sucesso.

O paciente morreu às 17h19, pouco antes de surgir uma vaga de UTI no hospital de campanha na estrutura interna do prédio do AME (Ambulatório Médico de Especialidades) Barradas, em Heliópolis, zona sul. O leito foi oferecido às 17h38, conforme mostra o documento.

Últimas