São Paulo Protesto contra Covas pede reabertura da Praça do Pôr do Sol

Protesto contra Covas pede reabertura da Praça do Pôr do Sol

"Menos Covas, Mais Verde" e "Cercas não são solução" estão entre os dizeres dos cartazes colados em cercas instaladas no local

Tapumes são usados para cercar a tradicional Praça Pôr do Sol, na zona oeste de SP

Tapumes são usados para cercar a tradicional Praça Pôr do Sol, na zona oeste de SP

Reprodução / Record TV

As cercas instaladas pela gestão do prefeito Bruno Covas em volta da Praça Pôr do Sol, em Pinheiros, na zona oeste, viraram alvo de protesto. Cartazes colados na estrutura metálica e até pichações pediam a reabertura da praça, fechada com a justificativa de evitar aglomerações na pandemia. "Menos Covas, Mais Verde", "Cercas não são solução" e "Sol não é belo atrás das grades" estão entre os dizeres dos cartazes. 

A instalação das cercas ocorreu após pedido da Associação Amigos do Alto de Pinheiros (SAAP) e da Associação de Moradores de City Boaçava. A escolha por alambrados em vez de grades, informou a prefeitura, ocorreu por serem mais econômicos. O custo total da instalação foi estimado em cerca de R$ 653 mil.

Professor da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) e ex-secretário de Cultura da cidade, Nabil Bonduki avaliou a ideia da prefeitura como “esdrúxula” e listou seis razões para sua visão sobre o cercamento da praça.

A primeira delas, segundo o professor, foi a falta de debates com a população a respeito da proposta. “Uma praça como essa é um patrimônio da sociedade como um todo, e não propriedade de um bairro ou uma associação de bairro”, comenta. Aliada a isto, uma segunda crítica feita por ele é que este tipo de política cria um cerceamento de espaços públicos que são de todos, “o que deve ser visto com cuidado”.

Cartazes em protesto às cercas no entorno da Praça Pôr do Sol em Pinheiros, colados na segunda-feira (1)

Cartazes em protesto às cercas no entorno da Praça Pôr do Sol em Pinheiros, colados na segunda-feira (1)

RONALDO SILVA / FUTURA PRESS / ESTADÃO CONTEÚDO - 01.03.2021

Outro ponto crítico, segundo ele, é que a ação no bairro nobre da zona oeste teria sido discriminatória, uma vez que outros locais – praças e parques, inclusive – geram mais aglomerações e não foram cercadas: “é uma decisão estranha por ser tomada num só lugar. E exatamente essa praça não é um lugar de tanta aglomeração”.

Para o professor da USP, para além das contradições na decisão, a forma como ela foi aplicada significou o mesmo que jogar dinheiro fora: "primeiro para colocar os tapumes em abril, que ainda estão lá e custaram cerca de R$ 800 mil. Agora, com os alambrados, que foram em torno de R$ 650 mil. E mesmo que eles decidam que o parque será definitivamente cercado, não vai ser com esse ‘alambradinho’ que está lá, será um novo. Então é um gasto em cima do outro".

Bonduki considera ainda que cercar a Praça Pôr do Sol pode criar um precedente ruim à cidade e outras praças paulistanas. “Em qualquer cidade do mundo não se cerca parques. Acho que essa política de cercamento é uma falsa impressão de segurança. Mas é claro que precisamos ter cuidados, como iluminação, vigilância, manutenção, gestão”, aponta.

O professor pontuou, ainda, que o cercamento não impediu somente os visitantes da praça de aproveitarem a vista proporcionada no local, como também os pedestres e motoristas que por ali passam, que agora terão “um obstáculo visual para dificultar o acesso àquela belíssima paisagem”.

Bonduki vê o cerco à praça com receio de que possa  ser um passo para a concessão da área para a iniciativa privada. "Acho que é muito perigoso. E há uma certa preocupação porque a prefeitura tem concedido espaços públicos ao setor privado. Tem uma politica de concessão, e pra isso o cercamento é necessário. É a maneira de você regular. Como no Anhangabaú, onde você começa a criar formas de conceder espaços públicos e restringir o acesso livre das pessoas. Já está sendo feito em parques e de repente a prefeitura pode fazer grandes praças."

Prefeitura

Ao ser questionada a respeito da decisão definitiva sobre fechar ou abrir a praça, a prefeitura disse que ainda está em fase de estudos. Confira a nota oficial na íntegra:

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Subprefeitura Pinheiros, esclarece que atendeu às solicitações de moradores da região quanto à colocação de alambrados na praça. A iniciativa, no período de pandemia, visa a facilitar o controle de pessoas para não causar aglomeração, e, no pós-pandemia, a conservação do local, que contém características de parque e recebe grande quantidade de frequentadores.

O fechamento e abertura do local, assim como sua capacidade, estão em fase de estudos. Durante a pandemia são respeitadas as regras do Plano São Paulo. Foram instalados alambrados em vez de grades, por ser mais econômico. A instalação dos alambrados da Praça do Pôr do Sol está em fase de finalização e no local também estão sendo executados serviços de zeladoria. O custo total é de R$ 652.953,78.

Últimas