São Paulo Punição ou segurança ao motorista? Entenda polêmica sobre a redução de velocidade nas marginais

Punição ou segurança ao motorista? Entenda polêmica sobre a redução de velocidade nas marginais

Especialistas favoráveis e contrários falam sobre a medida que entra em vigor no dia 20 em SP

Punição ou mais segurança ao motorista? Entenda polêmica sobre a redução de velocidade nas marginais

Velocidade máxima na pista expressa vai cair de 90 km/h para 70 km/h a partir do dia 20 de julho

Velocidade máxima na pista expressa vai cair de 90 km/h para 70 km/h a partir do dia 20 de julho

Eduardo Enomoto/R7

Todas as pistas das marginais Pinheiros e Tietê terão as velocidades máximas reduzidas para carros e caminhões. De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a medida entra em vigor no dia 20 de julho e as  velocidades para veículos de passeio cairão de 90 km/h para 70 km/h na pista expressa; de 70 km/h para 60 km/h na faixa central; e de 70 km/h para 50 km/h na pista local.

A medida da Prefeitura de São Paulo tem o objetivo de reduzir acidentes e atropelamentos nas marginais e tem causado polêmica. Veja a seguir opinião de um especialista que concorda com a redução da velocidade e de um que argumenta contra a mudança.

A favor: “Os veículos não se locomovem pela velocidade, e sim pela fluidez”

Luiz Célio Bottura, consultor de engenharia urbana e especialista em trânsito, concorda com a medida da Prefeitura de São Paulo de reduzir a velocidade máxima nas marginais. Para ele, com a redução, a fluidez do trânsito irá melhorar e, consequentemente, o trânsito nas vias.

"Primeiro é que não podemos comparar as nossas marginais com vias da Europa ou dos EUA porque as pistas expressas nesses locais são quase que exclusivamente para o tráfego de automóveis e quase não têm entradas laterais. Nós temos uma pista usada por todos os tipos de veículos. O nosso problema é a mescla de carro.

Segundo lugar é que nossas pistas são muito mal construídas e projetadas. Todas têm curvas erradas. Os nossos veículos ficam muito a desejar, nossos condutores são mal examinados.

Essa medida só é positiva. Eu luto por isso há mais de 30 anos. A atitude é salvar vidas. Essa medida está correta e não vai reduzir a velocidade, não vai aumentar o tempo de viagem. Só vai piorar o tempo para quem viaja no limite, aqueles que usam detectores de radares, o que é uma aberração.

É como você pegar um funil e tentar colocar grãos de feijão nele. Com uma velocidade controlada, entra com facilidade, mas se você despejar de uma vez ele entope. É a mesma coisa. Quanto mais rápido chegar [nas marginais], mais rápido congestiona. Os veículos não se locomovem pela velocidade e sim pela fluidez.

Sobre as multas, ninguém é multado sem ter cometido algum erro. O que acontece é que as pessoas fazem o que querem na cidade e, se for assim, têm que aguentar as consequências".

Contra: “Carro foi eleito o inimigo e vejo uma indústria de multa instalada”

Sergio Ejzenberg, engenheiro e mestre em transporte pela Poli (Escola Politécnica) e consultor de trânsito, não concorda com a mudança proposta pela prefeitura. Segundo ele, a alteração vai contra o padrão de velocidade estabelecido pelo Código Brasileiro de Trânsito e há chances de o motorista não mudar o comportamento de fato.

"Primeiro temos que entender que a velocidade não pode ser determinada de forma aleatória. Tem que ser levado em conta o Código de Trânsito como padrão. Isso existe porque ninguém dirige caçando placa. Não dá para olhar em cada quarteirão para saber com que velocidade você vai andar. As pessoas devem andar com velocidade padronizada e o código define isso claramente. Nas vias urbanas, em pistas expressas, o padrão é 80 km/h. Nas vias com semáforos cai para 60 km/h e assim sucessivamente.

Quando você sai desse padrão tem que ser feito um estudo que justifique a mudança e se vou mudar para uma velocidade mais baixa, não posso colocar um radar qualquer, tenho que colocar uma lombada eletrônica porque pode ser vista à distância e a obediência com esse dispositivo é muito alta. É uma forma de garantir a obediência e, com isso, a segurança. Eu sempre fui a favor da fiscalização eletrônica com radar em todas as esquinas, inclusive escondidos, mas, nesse caso, não adianta colocar um dispositivo qualquer.

Não haverá efeito de congestionamento com a redução de velocidade, mas reduzir aquém do necessário e fora do padrão é algo que vai induzir as pessoas ao erro e vai gerar multa. Existe uma guerra contra o automóvel, como se não fosse uma forma de se locomover pela cidade. Hoje, eu vejo a indústria de multa instalada.

A decisão de reduzir é equivocada, é de quem não estudou o que acontece. E, segundo os dados da CET, quem está matando mais na cidade não é o automóvel, é o ônibus". 

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