Quarentena começa nesta terça, mas interior paulista se adiantou

Cidades do interior de São Paulo respondem por 15% da riqueza nacional e pararam após determinação de quarentena em razão do coronavírus

Movimentação na via expressa Waldemar Paschoal (Aquidabã) em Campinas

Movimentação na via expressa Waldemar Paschoal (Aquidabã) em Campinas

LUCIANO CLAUDINO/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

O interior de São Paulo, que responde por 15% da riqueza nacional, começou a parar nesta segunda-feira (23), em razão do coronavírus. Nesta terça-feira (24), passa a vigorar em todo o Estado a quarentena determinada pelo governador João Doria (PSDB).

Campinas, cidade com mais de 1 milhão de habitantes, amanheceu com praças, ruas e terminais de ônibus praticamente vazios. Um decreto assinado pelo prefeito Jonas Donizette (PSB) antecipou a quarentena, fechando o comércio em geral e reduzindo a circulação do transporte público. Medidas semelhantes foram tomadas nas principais cidades do interior, em outras, o processo de isolamento social começa nesta terça-feira.

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A região central de Campinas começou o dia praticamente vazia e o transporte coletivo funcionava com frota mínima. Muitos moradores desistiram de esperar pelos ônibus nos terminais. A justificativa do adiamento na paralisação, segundo o prefeito, foram os 9 casos confirmados e 223 suspeitos na cidade.

O comércio em geral fechou, mas a área de alimentação e de medicamentos, e sua cadeia produtiva, funcionaram. O decreto não envolveu indústrias e bancos. "Não é só tirar as pessoas da rua e deixar em casa. Dos nossos leitos de UTI, 30% são ocupados por acidentes de trânsito. Sem carro na rua o número de acidentes cai e liberamos leitos para os casos graves de coronavírus", disse Donizette.

Ele determinou providências para que os ônibus operassem apenas com pessoas sentadas. A Guarda Municipal patrulhava as principais vias e acessos da cidade para controlar a lotação dos coletivos.

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Em Sorocaba, o Sindicato dos Rodoviários ordenou aos motoristas que recolhessem os ônibus que estavam em circulação na manhã desta segunda-feira. Os veículos cumpriam o itinerário até o ponto final e eram conduzidos à garagem. A medida atingiu outros 43 municípios da região e, segundo o sindicato, visava a garantir a segurança de motoristas e passageiros. Com duas mortes suspeitas, Sorocaba está em estado de calamidade pública. Segundo o sindicato, empresas de transporte urbano mantinham plantão para o transporte especial.

Empresas de fretamento e de cargas não foram afetadas. De manhã, a guarda municipal chegou a intervir, mas não conseguiu evitar que os ônibus saíssem lotados do Terminal Santo Antônio, o principal da cidade. Em nota, a prefeitura informou que a medida adotada pelo sindicato foi unilateral e entraria na Justiça para que parte dos ônibus circulasse, visando a atender quem trabalha em serviços essenciais.

O comércio geral e de shoppings deve ficar fechado em virtude do decreto de calamidade. Só no domingo, 82 bares foram autuados por descumprir a regra.

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Em Itapetininga, a rodoviária e os terminais de ônibus amanheceram isolados com faixas zebradas em todo o entorno para proibir a entrada de ônibus e passageiros. As pessoas que foram até o local tiveram de fazer meia volta. A cidade tem 37 casos suspeitos. O número de ônibus circulando também foi reduzido em Jundiaí. Fiscais da prefeitura receberam mais de 70 denúncias de descumprimento das medidas restritivas ao funcionamento do comércio. Piracicaba reduziu a frota do transporte público e suspendeu a gratuidade dos cartões de idosos fora do horário entre 10 e 15 horas.

A prefeitura de Bauru autuou ao menos 15 estabelecimentos que funcionavam na manhã desta segunda, burlando um decreto do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSDB) que fechou o comércio desde a sexta-feira, à exceção de serviços essenciais. A regra limitou o funcionamento até de bancos. Nesses locais, só eram atendidos presencialmente idosos, gestantes e pessoas vulneráveis.

Nesta segunda, empresas e indústrias operavam com metade dos funcionários e, conforme o decreto, deverão fechar totalmente a partir de amanhã.

Uma decisão da Justiça do Trabalho reduziu em 40% a circulação dos ônibus de transporte público de Ribeirão Preto. Os coletivos já circulam com frascos de álcool em gel, todos os passageiros sentados e com as janelas abertas. Em caso de descumprimento, a empresa de transporte pode ser multada em até R$ 50 mil por dia. Shoppings e centros comerciais fecharam. O prefeito Duarte Nogueira (PSDB) antecipou a primeira parcela do 13.º e pediu às pessoas que fiquem em casa.

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Em São José dos Campos, o comércio fechou nesta segunda, mas funcionavam serviços essenciais, como supermercados, e, com frota reduzida, o transporte coletivo. O uso de bilhete único por idosos foi restrito a viagens por motivo de saúde comprovado. Parques públicos, academias e centros esportivos também fecharam.

Em Araraquara, com uma morte suspeita, seis postos de saúde passaram a funcionar, nesta segunda, com horário ampliado até 20 horas. Em São José do Rio Preto, até as 23 feiras livres foram suspensas. A prefeitura de Araçatuba anunciou a suspensão, a partir desta terça, das visitas domiciliares dos agentes de combate à dengue.

Bloqueios

Cidades menores que ainda não têm casos confirmados de coronavírus estão barrando a entrada de pessoas de fora, como Botucatu, Águas de Lindóia, São Pedro e Motuca.

Em Aparecida, cidade do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, o bloqueio dos acessos foi determinado pela Justiça.

A medida atinge também a vizinha Potim. Com isso, subiu o número de cidades paulistas com acessos controlados por causa da pandemia.

No interior, já adotaram a medida Itariri, Pedro de Toledo, Itápolis, Miguelópolis, Tabatinga e Nova Europa. No litoral, os acessos estão controlados em Ilhabela, Santos, Guarujá, Mongaguá Itanhaém, Peruíbe, Ilha Comprida e Cananeia.