Tragédia no baile da 17
São Paulo Quem são os 9 jovens que morreram no baile funk em Paraisópolis

Quem são os 9 jovens que morreram no baile funk em Paraisópolis

Vítimas tinham entre 14 e 23 anos, gostavam de funk e, em suas famílias, deixaram um misto de tristeza e indignação; familiares contestam polícia

Quem são os 9 jovens que morreram no baile funk em Paraisópolis

Nove mortos em Paraisópolis tinham entre 14 e 23 anos

Nove mortos em Paraisópolis tinham entre 14 e 23 anos

Reprodução/Montagem/R7

Os nove mortos após a ação da Polícia Militar em um baile funk em Paraisópolis tinham coisas em comum além do trágico destino: eram jovens, gostavam de funk e, em suas famílias, deixaram um misto de tristeza e indignação.

Até o momento, apesar de vídeos gravados por moradores do bairro na zona sul mostrarem agressões a pessoas já rendidas, o governo do Estado não demonstrou ainda mudança na forma de agir durante as ações policiais em bailes funk.

Veja também: familiares contestam polícia sobre pisoteamento de vítimas em baile funk

Se a versão oficial da polícia é de que os jovens morreram todos durante um suposto pisoteamento, familiares das vítimas questionam a possibilidade e choram as perdas de seus entes queridos, todos de idade entre 14 e 23 anos.

Saiba mais sobre os nove jovens 

Bruno Gabriel dos Santos, 22 - Morreu na comemoração de seu aniversário

Bruno Gabriel foi ao Baile da 17 para comemorar o aniversário de 22 anos

Bruno Gabriel foi ao Baile da 17 para comemorar o aniversário de 22 anos

Arquivo Pessoal

O jovem Bruno Gabriel dos Santos acabara de completar 22 anos, na última quinta-feira (28), e foi comemorar o aniversário no Baile da 17, em Paraisópolis, na noite de sábado para a madrugada de domingo.

Um dos nove mortos no suposto pisoteamento durante ação da PM no local, ele foi pela primeira vez a um baile funk, como relata a irmã e madrinha do jovem, Vanine Siqueira, que não aceita a versão da polícia: “Ele estava de frente, se tivesse sido pisoteado seria de costas. Não tem explicação. Quero saber o que aconteceu.”

Antes de sair de casa para a festa, o irmão caçula da família pediu que a mãe fechasse bem a porta porque ele não voltaria naquela noite. "Lembro que naquele dia, minha mãe fez o prato que ele mais gostava: estrogonofe", diz a irmã. Segundo Vanine, Bruno era muito apegado à mãe.

Luara Victoria de Oliveira, 18 – Morreu fazendo o que mais gostava na vida

Luara Victoria morreu em suposto pisoteamento durante baile funk

Luara Victoria morreu em suposto pisoteamento durante baile funk

Reprodução/Facebook

Nos últimos cinco anos, Luara Victoria de Oliveira havia sofrido perdas irreparáveis: a jovem, que morava com os avós, perdeu o pai e a mãe. Ainda desempregada, ela dedicava sua rotina aos estudos, e, naquela noite, estava fazendo o que mais gostava na vida: curtindo funk.

Moradora do Jardim Primavera, na região do Grajaú (zona sul da capital), Luara tinha o costume de ir a bailes e tabacarias, sempre em busca de ouvir o gênero que tanto gostava.

Aluna de uma escola estadual em bairro vizinho ao que residia, como relatou um familiar que preferiu não ser identificado, a jovem recebia conselhos para diminuir as idas para os bailes funk e se dedicar mais na procura de um emprego, mas, no domingo, foi uma das nove vítimas em Paraisópolis.

Gustavo Cruz Xavier, 14 – ‘Risadinha’ era muito querido

As expressões sérias apareciam apenas para as fotos , relembra o tio

As expressões sérias apareciam apenas para as fotos , relembra o tio

Reprodução/ Redes sociais

Mais jovem entre as nove vítimas do suposto pisoteamento, Gustavo Cruz Xavier, ou apenas ‘Risadinha’, era muito querido, como relata o tio Roberto de Oliveira, 44

Enquanto a gente estava resolvendo as coisas, procurando por ele, umas 100 pessoas apareceram na casa dele. Colegas, amigos de infância, parentes. Ele tinha o apelido de "risadinha". Ria de tudo, não ficava mal. Era muito feliz", disse o tio do garoto de 14 anos.

Segundo Roberto, Gustavo era um adolescente que não dava trabalho: "Ele só tinha tamanho, era um menino bom. Tanto que o pai dele já é falecido, morreu há uns oito anos, e ele não entrou para o crime."

Veja também: o que é o 'Baile da 17', pancadão em Paraisópolis onde 9 jovens morreram

"Muita gente está vindo. Vão reservar um ônibus para trazer as pessoas para cá. Teve amiguinho dele que veio a pé", contou o tio.

Eduardo Silva, 21 - "Como explicar ao filho dele?", questiona cunhada sobre jovem

Eduardo Silva, 21 anos, morreu após ação da PM em Paraisópolis

Eduardo Silva, 21 anos, morreu após ação da PM em Paraisópolis

Arquivo pessoal

Os familiares de Eduardo Silva receberam com desespero a notícia da morte do jovem de 21 anos, que deixa um filho de apenas dois. Uma cunhada do rapaz, que preferiu não se identificar, encarou com tristeza a perda do ente querido.

"Como vai ser agora? Na hora que recebi a notícia fiquei pensando no que dizer quando ele perguntar do pai. Como vou explicar o que aconteceu?", questionou ela. Morador do bairro Cidade Ariston, em Carapicuiba, na região metropolitana de São Paulo, Eduardo morava com a mãe, o pai, uma irmã e o filho.

Segundo a cunhada, Eduardo trabalhava com o pai em uma oficina de carros e nunca teve nenhum envolvimento com a polícia. Ela, que diz já ter perdido amigos em abordagens policiais, agora teve de receber a notícia da morte do cunhado: "Agora fica a lembrança e a saudade. Ele era um bom menino."

Dennys Henrique Quirino da Silva, 16 – “Estava brava com ele e só passou quando o vi gelado no IML”, diz mãe 

Denys Quirino morreu aos 16 anos

Denys Quirino morreu aos 16 anos

Reprodução Record TV

Maria Cristina Quirino Portugal estava com raiva do filho Denys Henrique Quirino da Silva, de 16 anos, que havia saído para trabalhar no sábado (30) e, até a manhã de domingo (1º), não havia dado notícias.

“Ele saiu para trabalhar e não voltou. Até eu receber a ligação do hospital, eu estava brava com ele e isso só passou quando o vi gelado no IML (Instituto Médico-Legal)”, disse a mãe da vítima.

Consternada, Maria Cristina fez um desabafo: “Nasci e cresci em periferia e sei que nem todo mundo ali é bandido. Ao contrário. Sou a favor da polícia, mas isso que aconteceu não poderia ter acontecido, sou cidadã. A estratégia tem de ser diferente, sem bala de borracha, sem gás. Tem de acabar com os bailes antes de começarem. Caso contrário, outras mães vão perder seus filhos.”

Gabriel Rogério de Moraes, 20 – “Uma perda irreparável”, afirma pai

Jovem seria efetivado no emprego a partir do ano que vem

Jovem seria efetivado no emprego a partir do ano que vem

Reprodução/ Redes sociais

Gabriel Rogério de Moraes, de 20 anos, era tímido, carinhoso e tinha uma personalidade forte. Ele não gostava de funk ou de pancadões, como relata o pai Reinaldo Cabral de Moraes, mas foi pela primeira vez ao tradicional Baile da 17 pela insistência de amigos. “Foi uma perda irreparável”, disse Reinaldo.

O jovem teria morrido juntos com as outras vítimas ao ser pisoteado, segundo relataram os policiais que participaram da ação. Porém, Reinaldo duvida da explicação: "Pelo que ouvi de pessoas que conseguiram escapar, foi algo premeditado pela polícia, sem dar chances para se defenderem ou correr, porque bloquearam a passagem".

Gabriel trabalhava como jovem aprendiz, na leitura de medidores de energia, e seria efetivado em seu emprego a partir de janeiro do ano que vem. "Ele estava muito contente, fazendo planos comigo para o futuro", conta Reinaldo, que disse que o filho buscava se tornar independente.

Dennys Guilherme dos Santos Franco, 16 – “Vou ser pra minha mãe o motivo de tanto orgulho”, disse rapaz de 16 anos

"meninas hj o pai vai tá online, vou surfar mais q o medina", escreveu Dennys

"meninas hj o pai vai tá online, vou surfar mais q o medina", escreveu Dennys

Reprodução/Redes sociais

Um dos quatro menores de idade mortos em Paraisópolis, o jovem Dennys Guilherme dos Santos Franco se mostrou animado com a ida ao Baile da 17.

Em seu perfil no Facebook, o rapaz de 16 anos fez a seguinte publicação no dia da festa: “Hoje eu tô inspirado, vou mandar o magrão de esquina a esquina e dar um tapa na cabeça da sua vó, não qro saber de nada, meninas hj o pai vai tá online, vou surfar mais q o medina.”

Na rede social, o garoto frequentemente fazia publicações de valorização às recompensas vindas de seus esforços.

Mensagens como “só quem começou de baixo sabe o gosto de cada conquista”, “vou ser um dos favelados que vai conquistar o mundo, vou ser pra minha mãe o motivo de tanto orgulho” e “lutando o ano todo pra viver e ser feliz” eram comuns no Facebook de Dennys Guilherme.

Mateus dos Santos Costa, 23 - “Era um menino sossegado. Isso que a polícia fez foi errado”, afirma cunhada

Nascido na Bahia, ele vivia em São Paulo há 15 anos

Nascido na Bahia, ele vivia em São Paulo há 15 anos

Reprodução

O mais velho entre os nove jovens mortos após a ação da PM era Mateus dos Santos Costa. Nascido na Bahia, ele vivia em São Paulo há 15 anos, mas seu corpo irá para a terra natal para ser enterrado.

Aos 23 anos, Mateus deixou uma mãe doente e uma irmã grávida de nove meses, que receberam a notícia por telefone. Além delas, a morte do jovem causou indignação no irmão e na cunhada.

“Se fosse um menino errado, eu mesma falaria: ‘Ele é errado, não presta’. Mas não. Era um menino sossegado. Isso que a polícia fez foi errado”, disse a cunhada Silvia Ferreira.

Marcos Paulo Oliveira dos Santos, 16 - Família não sabia que iria ao baile

Marcos Paulo saiu para trabalhar e disse para avó que comeria pizza com amigos

Marcos Paulo saiu para trabalhar e disse para avó que comeria pizza com amigos

Arquivo pessoal

Marcos Paulo, de apenas 16 anos, havia saído de casa para trabalhar naquele sábado, e disse para a avó que sairia para comer uma pizza com os amigos.

A família do garoto não sabia que ele estaria no Baile da 17, local onde, após ação da Polícia Militar, os nove jovens morreram em suposto pisoteamento.

Marcos era um dos quatro menores de idade entre as vítimas.