Atirador Campinas
São Paulo Realengo, paranoia e games: os detalhes do diário do atirador

Realengo, paranoia e games: os detalhes do diário do atirador

Anotações em pequenos blocos mostram raiva e desespero do atirador Euler Fernando Grandolpho, que matou cinco pessoas em Campinas (SP)

Bloco de folhas de atirador foi apreendido pela polícia de Campinas (SP)

Bloco de folhas de atirador foi apreendido pela polícia de Campinas (SP)

Divulgação

Um bloco de folhas apreendido pela polícia de Campinas (SP) no quarto do atirador que abriu fogo e deixou mortos e feridos na catedral Nossa Senhora da Conceição na última terça (11) detalha diversos desabafos de Euler Grandolpho. Entre as frases, ele cita massacres, perseguições e jogos de videogame.

"São folhas que ele escreveu, como um bloco, que estava na casa dele", afirma o delegado Hamilton Caviola, responsável pelo caso.

"Há partes em que ele demonstra estar revoltado com a situação do país, em outras agressivo com o pai", conta o delegado.

A polícia também apreendeu dois computadores, um celular, uma câmera fotográfica, anotações e gravadores do atirador. "Queremos analisar tudo com calma."

Contéudo das anotações

Em uma das mensagens Euler faz referência ao massacre do Realengo. Com dois revólvers na mão, Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, entrou na escola Tasso da Silveira e matou 12 crianças, no Rio de Janeiro, e também se refere a chacina ocorrida em janeiro deste ano em Fortaleza, no Ceará, no Forró do Gago.

"Passei com meu cão em frente a uma construção ao lado da casa que os moradores tem uma veterinária e uma delas gritou com 'as paredes': 'E aí Ceará'. sobre o massacre ocorrido dias atrás. Ok. Hoje. 31/01, passei por lá e falei alto com o celular desligado na orelha: 'E aí REALENGO'", escreveu em um papel.

Anotações sobre massacres

Anotações sobre massacres

Divulgação

No mesmo papel, em uma seção à parte, Euler mostra ter interesse em games."Conforme às 15h, hoje, 01/02/2018, atualização [do] PUBG [jogo multiplataforma online]. Na dúvida, desinstalei e instalei o Steam [plataforma de jogos eletrônicos] e o PUBG", escreve.

Em outra anotação, o atirador diz: "170 km/h foi condenado a 9,5 anos, qual seria a pena para os viados que estão 'ouvindo minha casa', me perguntando etc, etc, etc... Há mais de 10 anos? Uma viagem pelo mediterrâneo com direito a acompanhante com tudo pago???".

Na sequência, Euler escreve que "demorou mais ou menos 10/11 anos para elas entenderem a gravidade da situação. No começo cometiam crimes com a maior naturalidade. Agora estão em pânico, espalharam pela cidade o que está prestes a acontecer, etc. Meu deus!".