São Paulo Reciclagem em SP: mulheres são mais engajadas do que homens

Reciclagem em SP: mulheres são mais engajadas do que homens

Estudo do Recicla Sampa aponta que cerca de 39 mil mulheres acessaram a plataforma para apreender sobre o tema. Número equivale a 61% dos acessos

Mulher trabalha na separação do lixo reciclável em uma cooperativa

Mulher trabalha na separação do lixo reciclável em uma cooperativa

HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO CONTEÚDO

Em São Paulo, as mulheres são mais engajadas do que os homens quando o assunto é reciclagem do lixo. É o que apontam os dados da plataforma Recicla Sampa, da Loga e da EcoUrbis, concessionárias responsáveis pela gestão do lixo na capital paulista.

Entre fevereiro e outubro deste ano, cerca de 39 mil mulheres acessaram a plataforma, que reúne materiais educativos sobre a reciclagem e o descarte responsável, o que equivale a 61% dos acessos totais no local. A faixa etária mais interessada nos materiais educativos está entre 35 e 44 anos (25%), seguida do público feminino entre 45 e 54 anos (22%). 

Entre os benefícios que podem ser gerados pelo manejo consciente do lixo, estaria a reutilização de 40% do material produzido pela cidade de São Paulo. Atualmente, de cerca de 12 mil toneladas produzidas por dia na cidade, somente 7% são reaproveitadas, segundo a Amlurb (Autoridade Municipal de Limpeza Urbana).

A separação do lixo reciclável impediria que materiais que podem ser reciclados por até décadas, séculos ou tempo infinito (caso do vidro) fossem tirados de circulação, destinados a aterros sanitários ou lixões, onde os materiais são enterrados e, na maioria das vezes, inutilizados.

Benefícios sociais da reutilização 

Francisco de Andrea Vianna, responsável pela operação Oeste da Loga em São Paulo, citou os benefícios sociais que a reciclagem também proporciona, para defender um maior engajamento da população com a questão:  "Quem se interessa em fazer isso não está ajudando as pessoas que vivem disso, garantindo renda e emprego". 

"Ainda tem muita gente que não se preocupa nem com o mínimo de uma relação saudável com o lixo. A gente tem uma perspectiva de adesão boa à coleta seletiva e busca por informação, mas você vê, quando sai de áreas urbanizadas, muito lixo jogado na rua, entulho, e outras formas de descarte irresponsável", completou Francisco, defendendo que a reciclagem ainda está muito longe do ideal na cidade.

A empresária Lia Zysman, de 59 anos, também vê o futuro com otimismo: "Na minha época, muita gente jogava o papel pela janela e isso era uma prática comum, não era visto como feio. Hoje não vejo isso acontecendo". Ela começou a reciclar em sua casa justamente a partir dos filhos, que falavam do que aprenderam sobre o tema na escola. 

"Começamos a separar o óleo, depois começamos a selecionar outros materiais recicláveis, e hoje na nossa casa no interior fazemos a compostagem", explica Lia, que também separa o lixo para catadores e associações inclusive em sua empresa, para garantir que o material seja reaproveitado.

A compostagem seria uma espécie de "reciclagem dos materiais orgânicos", na qual o material é decomposto naturalmente, gerando húmus, rico em nutrientes. 

Mulheres como chefes da casa

Além do incentivo inicial dos filhos, Lia assume que grande parte da separação do lixo em sua casa depende dela para ser efetivada. Ela atribuiu isso ao papel de dona de casa que exerce, e acredita que as mulheres são mais engajadas na questão da reciclagem justamente pelo protagonismo que têm nas tarefas domésticas.

Não é o caso de Renata Trimboli, veterinária, de 30 anos, que divide com o marido a gestão do lixo na casa. "Na minha casa propriamente não existe nenhum papel estabelecido, mas eu tenho a impressão de que os homens são mais práticos e se atentam menos nos detalhes para separar o lixo", diz a veterinária.

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Renata também afirmou que, para garantir que o lixo reciclável seja destinado ao local correto, pode ser necessário levar o material diretamente para centros de reciclagem, ou entrar em contato com catadores de lixo. “A gente tem que procurar outras alternativas além de confiar no nosso prédio”, disse, explicando que às vezes a separação não é feita da forma correta mesmo nos estabelecimentos. 

*Estagiário do R7, sob supervisão de Ingrid Alfaya