Roubo de celulares sobe 60% em junho, após volta do comércio em SP

Flexibilização da economia — restrita em função do combate à pandemia — gerou impacto em índices criminais, segundo estudo realizado pela Fecap

Reabertura do comércio em SP provocou aumento de roubo de celulares

Reabertura do comércio em SP provocou aumento de roubo de celulares

Agif/Folhapress - 17.06.2020

Um estudo realizado pela Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado) revelou que a reabertura do comércio no estado, medida de flexibilização adotada de acordo com o Plano São Paulo de combate ao novo coronavírus, gerou impacto em alguns índices criminais, caso do roubo de celulares, que registrou alta de 60% em junho, comparando-se o número verificado no mês anterior: 12.935 contra 8.047 casos, respectivamente.

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O trabalho desenvolvido pelo Departamento de Pesquisas em Economia do Crime da Fecap foi balizado em estudo que compila e analisa boletins de ocorrência e dados da SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) no primeiro semestre de 2020. Segundo as estatísticas oficiais, foram registradas 69.628 ocorrências de roubo de celulares nos seis primeiros meses deste ano.

A pesquisa mostrou também que houve uma redução brusca de roubos de aparelhos nos meses de abril e maio, mas um aumento significativo desse tipo de crime em junho, justamente o mês em que as autoridades responsáveis — municipais e estaduais — autorizaram a reabertura economia.

"Notamos que com a reabertura gradual da economia, as taxas de roubos já se elevaram, mas os números ainda se encontram inferior ao do mesmo mês do ano passado", analisou o economista e pesquisador do Instituto de Finanças da Fecap Allan Carvalho.

Para os pesquisadores, os números podem ser ainda maiores, visto que a subnotificação de casos é bastante comum nesse tipo de crime. Além disso, a pesquisa da Fecap descarta boletins de ocorrência incompletos ou com erros por critério de aproximação para objetivos estatísticos.

Retração dos crimes

O estudo encabeçado pela instituição de ensino com base nos dados da segurança pública do estado verificou um recuo de 38% no número de roubos no primeiro semestre deste ano, em comparação ao mesmo período de 2019. Se analisados os dados mensais em relação ao mesmo período do ano passado, é possível notar quedas acentuadas, com grande destaque ao mês de maio (-58%).

Horários perigosos

De acordo com as estatísticas policiais do estado, reveladas pela pesquisa da Fecap, o período noturno detém a maior incidência de roubo de celulares (44,57%). Depois, aparecem a tarde (22,08%), manhã (18,94%), madrugada (14,14%) e a hora incerta (0,26%).

Bairros e cidades com maior incidência de crimes

A avenida Paulista é detentora do recorde de roubo de celulares na cidade de São Paulo (215). A avenida Cruzeiro do Sul, na zona norte, registrou 167 casos  no primeiro semestre de 2020. Em terceiro lugar, aparece a avenida Sapopemba, na zona leste, com 160 ocorrências.

Entre os bairros da capital com maior número de ocorrências, destaca-se o Grajaú, na zona sul, com 1.092 ocorrências (1,57% dos boletins registrados no estado de São Paulo e 2,73% na cidade). Depois, surgem Capão Redondo (973 ocorrências), Itaim Paulista (874), República (806), Jardim Ângela (656), Campo Limpo (644), Itaquera (618), Cidade Ademar (586), São Mateus (550) e Bela Vista (530).

Os pesquisadores da Fecap também analisaram os dez municípios com maiores taxas de roubo no estado (53.291 ocorrências). Os crimes deste tipo ocorridos nessas cidades correspondem a 76,54% do total estadual.

A capital é possui o maior índice de roubo de celulares no estado (39.996), o equivalente a 57,44% das ocorrências. Em seguida, o ranking tem as cidades de Santo André (1.919 ocorrências), Guarulhos (1.897), Diadema (1.896), Campinas (1.681), São Bernardo Do Campo (1.651), Osasco (1.511), Itaquaquecetuba (1.061), Carapicuíba (853) e Praia Grande (826).

Confira os índices de roubos de celulares no primeiro semestre de 2020:

Janeiro — 14.203 roubos (24% menos do que o mesmo mês de 2019);

Fevereiro — 14.043 roubos (19% menos do que o mesmo mês de 2019);

Março — 12.028 roubos (40% menos do que o mesmo mês de 2019);

Abril — 8.372 roubos (55% menos do que o mesmo mês de 2019);

Maio — 8.047 roubos (58% menos do que o mesmo mês de 2019);

Junho — 12.935 roubos (32% menos do que o mesmo mês de 2019).