São Paulo São Paulo: 31% mais crianças e jovens estão vivendo nas ruas 

São Paulo: 31% mais crianças e jovens estão vivendo nas ruas 

Levantamento encomendado pela Prefeitura mostra que saltou de 505 para 664 número de pessoas com esse perfil nas vias públicas da capital

Cidade ganhou 60% mais moradores de rua

Cidade ganhou 60% mais moradores de rua

Manuel Alvarez / Pixabay

Levantamento feito na capital paulista pela empresa Qualitest, a pedido da Prefeitura de São Paulo, mostra um crescimento de 60% dos moradores de rua na cidade em quatro anos - de 15 mil, em 2015, para 24 mil, em 2019. O número de crianças também disparou nesse período, com aumento de 505 para 664, aumento de 31%. As informações são do site do jornal O Estado de S.Paulo.

Uma segunda fase da pesquisa sobre essa população, com foco na presença das famílias nas ruas, será finalizada em maio, mas dados iniciais apontam para um fato notado pelos paulistanos ao circular pela cidade, seja em grandes avenidas ou em vias menores, dentro dos bairros.

Personagens

No centro de São Paulo, a Praça Manoel da Nóbrega - ao lado do Pátio do Colégio, um cartão-postal da cidade de São Paulo - abriga desde o ano passado a família da faxineira Marcela, de 34 anos. Com dois filhos, um menino de 3 anos e uma bebê de 1 ano, Marcela passa o dia ao relento numa área que atrai turistas e concentra a Secretaria Estadual da Justiça e o Tribunal de Justiça de São Paulo.

Consultados sobre a presença de parentes na rua, pelo menos 3.634 pessoas - um terço dos 11.693 entrevistados em abrigos - confirmam ter familiares com eles nessa condição de moradia precária, como as duas mães que aceitaram falar com o Estado.

“Às vezes, a gente dorme no albergue; às vezes, dorme aqui mesmo na calçada, com o meu companheiro”, contou Marcela, que vive com o desabrigado Rogério e tem filhos de outro casamento. Ao lado dos dois menores, Marcela contou que os primeiros filhos moram no litoral, “em Peruíbe”, com a família do ex-marido. Ela relatou que vivia na favela do Cimento, na Avenida Radial Leste, incendiada em março do ano passado. Cuidava da mãe, cadeirante. “Sempre morei em favela.”

Depois que a mãe morreu, sem ter onde ficar, Marcela foi para a rua e passou a viver na região central, conhecida por catadores de papel e outros moradores de barracos de lona que se acomodam à noite pelo centro, a quadras dali, na área do Largo São Francisco.

Ela vive com medo de perder as crianças, um menino de 3 anos e uma bebê de colo. Marcela recebe doações de pessoas que trabalham na área central ou circulam pelo comércio e se compadecem com a cena de abandono.

A insegurança e o medo são companhias constantes da faxineira, que está desempregada. 

O que diz a Prefeitura

Segundo dados da Prefeitura, São Paulo tem 131 locais para o chamado Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (Saica), com mais de 2,3 mil vagas. A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social conta com outros 799 serviços para crianças e adolescentes em situação vulnerável e soma mais de 95 mil vagas no sistema, em parcerias com organizações da sociedade civil que atuam na assistência social.

Depois que a Qualitest apresentou os dados do censo 2019 da população de rua, mostrando o aumento em relação a 2015, quando o estudo foi feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o município “anunciou um pacote de medidas que contemplam ações integradas entre diversas áreas: Assistência Social, Direitos Humanos, Saúde, Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Subprefeituras, Habitação, Educação, Cultura”.

Segundo a Prefeitura, a intenção é realizar ações para “garantir o acesso de crianças, adolescentes e adultos em situação de rua” à rede de ensino e também para mantê-las na escola. O projeto também prevê “a garantia, a qualquer tempo, de matrícula e transferência de crianças e adolescentes em situação de rua, para ampliar oportunidades de acesso à educação básica.”

De acordo com técnicos da Prefeitura, 260 conselheiros tutelares recém-eleitos receberam capacitação, no mês passado, para que possam atuar com a secretaria no acolhimento de crianças em situação de rua e em casos de exploração do trabalho infantil. Também será criado um Núcleo de Atenção Integral a Crianças e Adolescentes em situação de rua.