São Paulo São Paulo fica sem grandes legados, mas termina Copa livre de transtornos

São Paulo fica sem grandes legados, mas termina Copa livre de transtornos

Cidade precisou se adaptar antes e durante o Mundial para contornar problemas

São Paulo fica sem grandes legados, mas termina Copa livre de transtornos

Bairro de Itaquera recebeu investimentos viários no entorno da Arena Corinthians

Bairro de Itaquera recebeu investimentos viários no entorno da Arena Corinthians

Lucas Lacaz Ruiz/Fotoarena/Estadão Conteúdo – 11.6.2014

No período de um mês, durante a Copa do Mundo, passaram pela cidade de São Paulo cerca de 500 mil turistas, sendo 30% deles estrangeiros. Para recebê-los, nenhuma grande obra de mobilidade foi feita. A capital adaptou o que tinha e conseguiu contornar alguns problemas. Outros surgiram durante o Mundial.

O deslocamento dos torcedores para o estádio foi feito em esquema especial. A ideia do Expresso Copa (trens diretos do centro para Itaquera nos dias de jogo) fica como um legado que pode ser usado em outros eventos na Arena Corinthians. De acordo a prefeitura, mais de 90% dos torcedores se deslocaram de metrô e CPTM para assistir aos jogos. O transporte foi facilitado pela sinalização e avisos sonoros bilíngues.

Já nas ruas, as pessoas enfrentaram problemas no segundo dia de jogo do Brasil. Sem feriado, a capital registrou congestionamento de 300 km horas antes da partida. O motivo foi o fim de expediente antecipado de milhares de trabalhadores. Teve até quem perdeu o jogo preso no trânsito. Depois disso, a prefeitura colocou em prática um plano emergencial, que incluiu rodízio de veículos das 7h às 20h em alguns dias de jogo.

O Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, correu contra o relógio e conseguiu concluir as obras do terminal 3 antes do Mundial. Milhares de passageiros que viajaram para ver os jogos encontraram um edifício moderno, que operou a contento. Em Campinas, a reforma do aeroporto de Viracopos teve atrasos. Apenas uma parte ficou pronta para receber algumas delegações estrangeiras.

Mas o grande destaque na capital foi a festa na Vila Madalena. Até o primeiro jogo, o tradicional bairro boêmio não fazia parte da programação oficial de São Paulo, mas isso não intimidou milhares de torcedores que lotaram bares e ruas da região. A multidão foi aumentando e chegou a uma média de 50 mil pessoas por partida. A prefeitura admitiu não ter previsto esse movimento e teve que fazer ajustes emergenciais para resolver questões como lixo, barulho, comércio irregular e trânsito. Porém, a vice-prefeita, Nádia Campeão, avaliou como positivo o destaque que o bairro teve, inclusive internacionalmente.

Segurança

Ter o maior efetivo policial do País fez com que São Paulo conseguisse organizar um esquema de segurança eficiente durante o Mundial. Mais de 4.500 agentes atuaram durante o evento. Só a Guarda Civil Metropolitana apreendeu 161.772 itens irregulares.

Mesmo assim, a ação da PM em uma manifestação, no dia da abertura do Mundial, foi alvo de críticas. Jornalistas estrangeiros ficaram feridos com estilhaços de bombas. Foram utilizadas  bombas de gás lacrimogêneo dentro de uma estação de metrô, na saída de um shopping e na Radial Leste, horas antes de o Brasil entrar em campo.

Itaquerão

Ao levar a Copa do Mundo para Itaquera, bairro da periferia de São Paulo,  a cidade pretendia estimular o crescimento daquela região ao atrair investimentos e oferecer mais qualidade de vida aos moradores do entorno do novo estádio que seria construído.

Hoje, três anos após o início das obras, a mudança real na vida das pessoas que moram no bairro ainda é quase imperceptível, mas a paisagem do local sofreu alterações significativas.

O ponto final da linha 3-Vermelha do metrô ganhou destaque na imprensa e passou a ser conhecido mundialmente no dia 12 de junho. O entorno da Arena Corinthians recebeu um complexo viário com viadutos, um túnel, recapeamento de ruas e avenidas, melhorias de iluminação e calçadas. Uma passarela, a maior da cidade, foi instalada sobre a Radial Leste, ligando as porções norte e sul do bairro.