São Paulo SP: 7 a cada 10 dizem saber pouco ou nada sobre questões ambientais

SP: 7 a cada 10 dizem saber pouco ou nada sobre questões ambientais

Embora citem pouco entendimento, 62% dos entrevistados são preocupados com tema e 80% apontam como muito importante

  • São Paulo | Guilherme Padin, do R7

Razão para o pouco conhecimento pode ser associada ao poder público

Razão para o pouco conhecimento pode ser associada ao poder público

Helvídio Romero/Estadão Conteúdo - 05.09.2017

Sete a cada dez paulistanos afirmam que conhecem pouco ou nada sobre aquecimento global e mudanças climáticas, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira (7) pela Rede Nossa São Paulo.

Apesar de serem poucas as pessoas que consideram entender muito sobre as questões ambientais, a grande maioria dos habitantes da capital paulista enxerga o problema como algo grave: 80% consideram o aquecimento global ou mudanças climáticas como muito importante e 62% se declaram muito preocupados com isto.

Para Igor Pantoja, doutor em Sociologia e assessor de mobilização da Rede Nossa SP, a razão que explique a importância dada população apesar do conhecimento escasso sobre o problema está associada ao poder público.

“A educação ambiental é um ponto de destaque. Quando perguntamos as ações humanas que mais influenciaram para manutenção ou piora do meio ambiente, a falta de educação ambiental é citada por 82% das pessoas como fator de muita influência [e outros 12% apontam que influencia pouco]. Tem a ver diretamente com a responsabilidade do poder público”, cita Pantoja ao R7.

Outro apontamento do sociólogo sobre a falta de entendimento é de que, embora as pessoas não saibam explicar sobre o tema, elas têm uma noção clara da importância dos principais problemas ambientais.

“Conhecem pouco, mas sabem que é muito relevante. E também é importante que elas estão abertas a tratar disso, que se importam e gostariam de lidar de forma mais respeitosa ao meio ambiente”, afirma Pantoja, que considera essencial o reconhecimento das pessoas sobre a própria participação no agravamento do problema: 61% dos entrevistados concordam totalmente ou parte que seus hábitos de consumo têm relação com o desmatamento, por exemplo.

População aponta ações humanas que mais causam problemas ambientais

População aponta ações humanas que mais causam problemas ambientais

Divulgação/Rede Nossa São Paulo

“As pessoas também reconhecem que a mudança climática é causada por ação humana. Desmistifica o pensamento de que imaginem que é tudo culpa de ações da natureza”, comenta.

Segundo o assessor da Nossa SP, há uma ampliação da conscientização popular, mas o passo adiante será trazer essa preocupação ao plano prático, mostrando as formas possíveis de participar de mudanças ativas para solução do problema.

Principais problemas ambientais de SP

Na avaliação dos entrevistados, os principais problemas ambientais da cidade de São Paulo são a poluição do ar (para 59% dos respondentes), a poluição dos rios (54%) e as enchentes (43%).

Estes problemas são causados pelas ações humanas, segundo 72% dos paulistanos. Outros 17% consideram que as causas são ações humanas junto a mudanças naturais do meio ambiente e 6% apontam somente as mudanças naturais como o motivo.

A respeito das buscas por melhoras neste sentido, nove a cada dez paulistanos entendem que as três esferas do governo são responsáveis pela busca por soluções na capital paulista: 92% apontam a prefeitura, 91% citam o governo estadual e 89% consideram o governo federal.

Ao todo, 91% concordam totalmente ou em partes que é preciso articular políticas municipais, estaduais e federais para o enfrentamento aos desafios do meio ambiente na cidade.

“A pauta do meio ambiente fica muito na Secretaria do Verde e Meio Ambiente e não consegue entrar muito nas outras secretarias”, diz Igor Pantoja. O problema é algo identificado não só pela Nossa SP como a própria opinião pública, como mostra a pesquisa, comenta o assessor.

“A despoluição de rios e córregos é a solução mais eficiente aos problemas ambientais de São Paulo. É um indicativo importante para políticas públicas. Tratar não só o rio, mas  o esgoto e o saneamento para a população. Há uma série de efeitos que a despoluição traz consigo. A despoluição já impacta desde a casa das pessoas”, diz Pantoja, que lembra, entre os resultados, que cerca de metade da população associa isto a doenças como dengue, zika, chikungunya, leptospirose e hepatite A.

“Atualmente, o índice de doenças de veiculação hídrica é bastante elevado em algumas regiões por conta disso. Países que não têm essa problema praticamente não há esses tipos de doenças” diz ele.

Brasil perde credibilidade no cenário internacional

A pesquisa também aponta que, para a população, nos últimos anos o Brasil está perdendo credibilidade internacional por sua atenção – ou falta dela – em relação às mudanças climáticas e aquecimento global.

Ao todo, 81% dos respondentes afirmaram concordar totalmente ou em partes com a afirmação.

“Há uma análise geral de que o Brasil está perdendo espaço nessa agenda em nível mundial”, aponta Pantoja.

Outro lado

Em nota, a prefeitura de São Paulo alega que as ações ambientais no município são reconhecidas pela comunidade internacional, de acordo com o Plano de Ações Climáticas.

“O PlanClima foi oficialmente lançado na última semana e estabelece objetivos e metas para as próximas décadas e necessidade de multi-ações intersecretariais, que incluem, por exemplo, a Secretaria de Mobilidade e Transportes, para zerar as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera”, escreve a gestão, que afirma que “as ações da SVMA são totalmente intersecretariais”.

Como exemplo, a prefeitura aponta que a SPTrans participa das ações para cumprir as metas ambientais da região: “Somente em 2021, já foram incorporados mais de 680 novos ônibus à frota da cidade. Toda a frota de ônibus circula com um tipo de diesel menos poluente - uma mistura de 90% diesel S10 (menor teor de enxofre) e 10% biodiesel (B12)”.

A gestão aponta ainda que, por meio da SMT (Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes), a cidade conta com a maior malha cicloviária do país, com objetivo de tornar a bicicleta uma alternativa viável de transporte. “O plano de metas 2021/2024 da prefeitura prevê um incremento de 300 km na malha cicloviária da cidade”, diz a prefeitura.

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