São Paulo SP: ambulante é espancado por seguranças da CPTM em estação

SP: ambulante é espancado por seguranças da CPTM em estação

Gerson Gonçalves dos Anjos vendia produtos no vagão do trem da linha 8-Diamante quando foi abordado e agredido

  • São Paulo | Letícia Assis, da Agência Record

Gerson vai passar por cirurgia após ser agredido

Gerson vai passar por cirurgia após ser agredido

Reprodução

Um vendedor ambulante foi agredido por seguranças na estação Carapicuíba, da linha 8-Diamante da CPTM (Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos).

As agressões aconteceram por volta de 13h de sábado (2). A vítima, que vendia alimentos no vagão, ficou severamente ferida.


O ambulante Gerson Gonçalves dos Anjos, de 32 anos, de acordo com informações da esposa, Kerlane da Silva Barbosa, estava em um dos trens da CPTM vendendo água e chocolates quando foi abordado pelos seguranças da empresa terceirizada Albatroz.

Ainda segundo a esposa, durante as agressões, Gerson quebrou o nariz e o maxilar. Ele precisou ser encaminhado para o Hospital Regional de Osasco e vai passar por cirurgia. 

No hospital, Gerson relatou à família que não lembra detalhes do que aconteceu na estação porque ele desmaiou em meio às agressões.

Segundo a vítima, ele discutiu com os seguranças por causa da apreensão da mercadoria. O ambulante foi levado para a saída da estação, onde alega ter sido espancado pelos funcionários. 

De acordo com outros ambulantes que presenciaram a cena, cerca de 10 seguranças agrediram Gerson.

Imagens mostram o estado do vendedor após as agressões. Nas fotos, é possível ver poças de sangue ao lado de Gerson e o olho já inchado.

Um segundo vídeo flagrou o momento inicial da discussão entre vítima e agentes. Ao menos 10 seguranças cercam Gerson, que parece nervoso e discute. Em seguida, todos caminham em direção à saída da estação.

A esposa informa que o marido havia sido solto na saidinha de final de ano e que retornaria ao presídio na manhã desta terça-feira (5), onde está detido desde 2013. Segundo Kerlane, o casal tem 4 filhos e Gerson decidiu vender comida nos vagões para ajudar a comprar os itens básicos para as crianças.

A família já entrou em contato com o presídio de Franco da Rocha, onde Gerson estava preso, para informar a unidade sobre a situação do homem. 

Agressão foi na estação Carapicuíba

Agressão foi na estação Carapicuíba

Reprodução

Versão dos vigilantes

De acordo com o boletim de ocorrência, o vigilante estava na estação Carapicuíba quando recebeu solicitação de equipes para conter um vendedor ambulante no vagão. A venda de produtos é proibida nas dependências da CPTM.

O funcionário se deparou com outros colegas de equipe discutindo com Gerson, que apresentava resistência após sua mercadoria ter sido confiscada.

Após conduzirem o ambulante até o piso superior da estação, o vendedor teria tentado agredir o vigilante que, para se defender, desferiu um soco no maxilar de Gerson.

Após a agressão, segundo o boletim de ocorrência, o homem teria caído no chão e batido a cabeça.

O Corpo de Bombeiros foi acionado para socorrer a vítima, que foi encaminhada para o Hospital Regional de Osasco, onde ele permanece internado.

A Polícia Civil ainda tenta esclarecer os fatos, uma vez que, até o momento, não é possível determinar quem iniciou as agressões. Foi solicitado exame de corpo de delito aos envolvidos. O caso foi registrado no 1° Distrito Policial de Carapicuíba como lesão corporal.

Em nota, a CPTM afirma que não admite qualquer prática de violência e que afastou imediatamente os dois vigilantes terceirizados envolvidos na ocorrência.

A empresa garantiu que tomará as medidas legais aplicáveis nesta situação contra a empresa terceirizada, além de proibir que os vigilantes voltem a prestarem serviço para a empresa. A CPTM também irá colaborar com a investigação policial para o esclarecimento do caso.

O comunicado diz ainda que comércio ambulante não ė permitido nos trens e estações da CPTM e que a atuação da companhia está respaldada no Decreto Federal 1832, de 04/03/1996, que regulamenta o transporte ferroviário.

A companhia conta com a colaboração de todos os passageiros para enfrentar o comércio irregular, não incentivando a prática e denunciando nos canais diretos da CPTM.

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