Coronavírus

São Paulo SP: cidades do interior voltam a endurecer medidas contra covid-19

SP: cidades do interior voltam a endurecer medidas contra covid-19

Entre 18 de abril e 23 de maio, o Estado permanece em transição entre a fase vermelha e laranja, com retorno gradual das atividades

Agência Estado
Araraquara foi uma das cidades do interior de São Paulo que adotou lockdown

Araraquara foi uma das cidades do interior de São Paulo que adotou lockdown

Igor do Vale/Folhapress/21/02/2021

Enquanto o Estado de São Paulo aumenta flexibilizações de atividades econômicas, algumas cidades do interior têm adotado medidas mais restritivas para conter um novo aumento de infecções covid-19. A partir deste sábado (15), a cidade de Batatais, de 63 mil habitantes, entra em lockdown, com toque de recolher das 20 às 5 horas, fechamento de supermercados e suspensão até das atividades religiosas. Desde 18 de abril e até 23 de maio, o Estado permanece em transição entre a fase vermelha e laranja, com o retorno gradual das atividades.

Em Batatais, o confinamento da população vai até 31 de maio - o mais longo já adotado em São Paulo. O decreto da prefeitura suspendeu aulas presenciais e o transporte público. Os supermercados podem abrir só aos sábados, das 6h às 20h, para que a população possa se abastecer. O prefeito Juninho Gaspar (Progressistas) disse que a cidade enfrenta problemas na aquisição de medicamentos e tem baixo estoque de oxigênio. Os leitos de UTI voltaram a atingir a ocupação máxima, o que não acontecia desde a segunda semana de março.

Nesta sexta-feira, 14, onze pacientes aguardavam no pronto-socorro por um leito em hospital. "Temos um pico muito grande esta semana e os dados demonstram que, em dez dias, teremos um pico maior ainda, com muita dificuldade para cuidar das pessoas", disse. Quem for flagrado desrespeitando o toque de recolher pode ser multado em um salário mínimo (R$ 1,1 mil). Além da multa, o infrator pode responder por crimes contra a vida e contra a administração pública.

Em Avaré, na tentativa de conter um novo aumento de casos, a prefeitura publicou nesta sexta-feira uma lei que determina o uso de pulseirinhas coloridas por pacientes positivos ou com suspeita de infecção pelo coronavírus. O adereço nas cores vermelho e amarelo será colocado e retirado somente pelos profissionais de saúde. Os familiares do paciente obrigados a manter o isolamento também terão de usar a pulseira.

Os agentes comunitários estão autorizados a autuar o portador de pulseira que for encontrado em qualquer espaço fora do isolamento. A multa de R$ 120 dobra em caso de reincidência. No mês passado, outras cidades do interior, como Iacanga, Nova Granada, Tabapuã e Irapuru tiveram iniciativas semelhantes.

O aumento nos casos de covid-19 voltou a preocupar a prefeitura de Araraquara, cidade que ficou conhecida por ter reduzido a transmissão da pandemia após dez dias em lockdown completo. Nesta sexta, foram confirmados 93 novos casos, totalizando 19,8 mil infectados, e uma morte, chegando a 419 óbitos. A ocupação de leitos de UTI subiu dois pontos percentuais em 24 horas, chegando a 86%, com 85 pacientes internados.

Segundo a secretária de saúde Eliana Honain, o aumento de casos está relacionado à maior testagem. "Estamos testando muito, em todos os setores e nas barreiras sanitárias, o que tem feito o número de doentes aumentar", disse. Segundo ela, as testagens permitem controle maior da pandemia e, se qualquer alteração for notada, o município tomará novas medidas para controlar a disseminação do vírus. Em fevereiro, Araraquara enfrentava grave crise hospitalar com aumento de internações e mortes. Os números caíram após o lockdown.

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