Coronavírus

São Paulo SP: com suspensão de aula presencial, mães ficam sem opções

SP: com suspensão de aula presencial, mães ficam sem opções

Crianças terão aulas remotas em casa e as responsáveis têm de se dividir entre afazeres domésticos e o trabalho

  • São Paulo | Joyce Ribeiro, do R7

Resumindo a Notícia

  • Aulas deveriam ser retomadas na segunda-feira (1º) nas escolas do estado de SP
  • No entanto, a Justiça suspendeu o retorno presencial dos alunos por causa da pandemia
  • Governo de SP querer reverter a liminar e manter as aulas
  • Com incerteza, mães não têm como se planejar
Com suspensão das aulas presenciais em SP, mães não podem retomar rotina de trabalho

Com suspensão das aulas presenciais em SP, mães não podem retomar rotina de trabalho

Reprodução / Pixabay

A incerteza com a suspensão da volta às aulas presenciais em São Paulo, marcadas para segunda-feira (1º), deixam as mães inseguras e sem condições de planejar as atividades. O governo tenta reverter na Justiça a decisão liminar, enquanto isso, tudo está indefinido.

Natasha Ramos Siqueira mora no Guarujá, no litoral paulista, é professora de educação infantil e tem uma filha de 11 meses. Ela não sabe o que pensar sobre o retorno dos alunos às salas de aulas e fica dividida: "Enquanto concordo que o momento que vivemos não é seguro para a retomada de atividades onde haja contato com muitas pessoas, eu não consigo entender por quê só as escolas estão sob a iminência de um encerramento de atividade".

Volta ás aulas presenciais, prevista para segunda-feira (1º) foi suspensa por decisão judicial

Volta ás aulas presenciais, prevista para segunda-feira (1º) foi suspensa por decisão judicial

Pixabay

Segundo ela, com a maioria das atividades em pleno funcionamento apesar do aumento de casos de covid-19, isso gera outro problema: com quem deixar as crianças enquanto os pais precisam trabalhar normalmente?

Natasha já teve de faltar ao trabalho por não ter com que deixar a bebê. "Foram poucas vezes, mas me gerou um transtorno enorme de pedir pra que familiares me ajudassem, muitas vezes minha sogra ou irmã deixaram de ir para os seus trabalhos também para me ajudar. Já precisei também chegar atrasada por ter que esperar o meu marido chegar, pra ficar com a bebê, e só então poder sair", revela.

Nova rotina em casa

A insegurança quanto ao retorno das aulas é comum a todos os pais. Carolina Borges está desempregada e tem duas filhas, de 5 e 8 anos, alunas da rede pública. Mesmo em setembro, quando a pandemia estava mais controlada, ela não teve a opção de enviar as crianças para escola.

Clarice, Ana e a mãe, Carolina Borges

Clarice, Ana e a mãe, Carolina Borges

Reprodução/Facebook

Agora não sabe como fazer para conciliar os afazeres domésticos com a tentativa de trabalhar de casa. "Trabalho com mídias sociais e tive que compartilhar notebook e celular com as minhas filhas nas aulas. Não temos rotina, mas a mais velha fazia as atividades primeiro e a mais nova, quando dava", diz.

Carolina é uma das criadoras do site Ocupa Mãe e perdeu o emprego informal que tinha. Estava vivendo com o cartão merenda e auxílio emergencial. Quando consegue, faz trabalhos pontuais: "Depois de um dia de trabalho em casa, sendo mãe, professora, merendeira, eu trabalhava de madrugada, mas é muito cansativo. Não dormia. As mães não têm bolsas. A gente que se vire pra fazer tudo".

Ela contava com o retorno das aulas, mesmo sem saber ao certo se o esquema funcionaria bem: "Acho que ia dar um alívio, mas não ficou claro como vai funcionar. Minhas filhas estudam em duas escolas diferentes. Não sei se compensaria o gasto com deslocamentos e os riscos".

Sobre o aprendizado em ensino remoto, Carolina faz algumas considerações: "Causou mais estresse e não tinha muito acompanhamento das professoras". Ela acredita que a menor aprendeu a ler com a ajuda da irmã e não se prendia aos vídeos enviados, gostava e interagia quando as aulas eram ao vivo e via a professora e os amigos. 

A mãe até tentou ensinar com livros didáticos as filhas e acelerar o conteúdo de acordo com o ritmo de aprendizado da mais velha, mas disse que, no fim, foi obrigada a voltar ao ambiente virtual, uma exigência do colégio.  

Decisão da Justiça

O governo de São Paulo vai recorrer da decisão em caráter liminar do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) que contraria o Plano São Paulo de combate à covid-19 e impede a volta às aulas presenciais no estado.

De acordo com nota oficial da gestão João Doria (PSDB), uma vez que o estado ainda não foi notificado, todo o planejamento previsto está mantido, inclusive as atividades presenciais.

"Nossa prioridade se manterá em garantir a segurança e saúde de todos os estudantes e servidores da educação, além do direito à educação, segurança alimentar e saúde emocional de todos os nossos estudantes", pontuou em comunicado.

O governo diz que cerca de 1,7 mil escolas estaduais em 314 municípios retornaram com as  atividades presenciais no estado desde setembro, sendo 800 estabelecimentos de ensino na capital paulista. Segundo a administração estadual, não houve nenhum registro de transmissão de covid-19 nessas escolas até o momento.

Helen Henrique e o filho

Helen Henrique e o filho

Reprodução/Facebook

A mesma opinião tem Helen Henrique, que é fisioterapeuta e analista junguiana, mãe de um garoto de 11 anos. "Eu não vou sofrer com antecedência, mais uma vez, se o governo vai recorrer, mas não concordo com o adiamento. Em setembro, houve o retorno presencial de alunos às escolas e não teve aumento da transmissão", ressalta.

De acordo com ela, os pais não podem viver em função do coronavírus. "A escola é uma necessidade básica. As crianças estão deprimidas e as famílias desestruturadas. A escola deve ser uma aliada neste momento. As mães estão cansadas e algumas também já voltaram ao trabalho, como eu. É justo que voltem às escolas com segurança a alunos e funcionários", enfatiza Helen.

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